Minhas impressões sobre o Terceiro Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local

Como falei dois posts atrás, eu fui para a Itália com um objetivo específico, a convite da ONU através da TEJO eu fui participar do 3º Fórum de Desenvolvimento Econômico Local e aqui vou contar as minhas impressões sobre o evento.

O evento era super luxuoso, ele aconteceu no Palácio Real de Turim, no centro da cidade, ao lado de lojas chiquérrimas como Armani e Prada. O secretário geral da ONU, Ban Ki Moon, esteve presente no final do evento para discursar na plenária principal, fora ele haviam muitas pessoas importantes do mundo todo.

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Discurso do secretário geral da ONU no encerramento do evento

Tinham sido montada no jardim do palácio real uma tenda enorme que era a plenária principal onde todas essas pessoas importantes falavam, e outra tenda no pátio do palácio que eram subdivididas em várias mini tendas onde pessoas menos importantes (como eu) tinham a oportunidade de discursar, foi numa dessas mini tendas que discursei a primeira vez num evento oficial da ONU, junto com mais duas pessoas, uma do Egito e outra da Macedônia. Eu fui a única que discursei em inglês, a moça do Egito preferiu discursar em Árabe e o homem da Macedônia preferiu discursar em francês: eu não pude discursar em português porque a minha língua não é uma língua oficial da ONU.

A mesa redonda que participei.

A mesa redonda que participei.

Eu estava lá em nome da TEJO e para representar ideias da organização (que claro, concordo), o tema da nossa mesa redonda era empregabilidade de jovens. A moça apresentou os desafios encontrados por jovens egípcios depois da primavera árabe em encontrar emprego e do trabalho da Organização Mundial do Trabalho para ajudá-los. Eu falei um pouco dos problemas linguísticos encontrados por pessoas que querem encontrar trabalho: muitas vezes o fato de falar ou não uma língua (e não só o inglês, mas como também o alemão, francês, etc) é algo excludente no processo de seleção de muitos empregos, enquanto ter um time internacional e diverso é bom para o ambiente de uma empresa. O cara da macedônia apresentou um projeto que estava sendo desenvolvido lá estilo PRONATEC. No meu painel não havia tradução para todas as línguas da ONU, faltavam traduções para o chinês e o russo, em algumas outras salas faltavam traduções para o espanhol além dessas, só haviam as 6 línguas oficiais na plenária principal.

Eu fiquei um pouco chateada com o evento quando soube que não poderia discutir em português mesmo o Brasil tendo uma boa delegação lá e o SEBRAE sendo um dos principais patrocinadores do fórum: mesmo sendo feito com dinheiro brasileiro, o português não era passível de ser falado lá. Como sabia que ia ter que falar inglês, francês ou espanhol com as pessoas lá dentro e que ter que discursar em inglês (porque o inglês dentre estas línguas é a que domino melhor) resolvi falar inglês desde a entrada quando me barraram: eu expliquei para o segurança que queria pegar meu crachá em inglês, mas de todos os que estavam ali só um falava inglês e não tão bem, ele achou que queria comprar o ticket para visitar o museu do palácio real, eu tive que explicar melhor em “portitaliano” (eles entendem se a gente falar português devagar e com algumas palavras chave em italiano) o que eu queria.

O evento era fechado para o público local eu acho que um fórum de desenvolvimento econômico local também deveria beneficiar o vendedor de lembrancinhas que tinha um quiosque na praça em frente ao palácio e não só aqueles detentores de convites da ONU. Felizmente o pessoal do evento também achava isso, por isso colocaram um telão do lado de fora do palácio que transmitia para a praça o que estava sendo discutido lá dentro. O evento tinha sido bem divulgado pela cidade, haviam cartazes, banner e painés (todos em inglês) do aeroporto aos pontos de ônibus de Turim, mas não havia quase ninguém assistindo o que estava sendo discutido dentro do palácio da praça.

Telão do lado de fora do palácio

Telão do lado de fora do palácio

A língua era um dos principais motivos, as palestras da plenária principal eram quase todas em inglês e elas estavam sendo transmitidas em inglês sem tradução simultânea ou legendas para o italiano: o inglês em Turim é falado no mesmo nível que no Brasil, muitas pessoas não passam do “what is your name?” aprendido na escola, as que “falam” não falam no nível de discutir economia e política, assim como no Brasil, são poucas as pessoas que compreendem e que interagem numa palestra em inglês sem tradução. A língua era um dos principais motivos que dividiam os que tinham acesso no que estava sendo discutido no palácio para as pessoas da rua, para ouvir e ser ouvido ali precisava-se falar uma língua da ONU, e o italiano não é uma delas.

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Italia: chegada e primeiras impressoes

Estou escrevendo sem acento porque o computador que tenho acesso aqui nao tem isso =P (pelo menos nao que eu reconhecesse).

Pois bem, jah estou na Italia e pense que luta pra chegar aqui! Comecei tentando domingo, mas ai o pessoal que emitiu a minha passagem escreveu errado meu sobrenome e acabei dando viagem perdida no aeroporto! Liguei de volta para tentar embarcar mais uma vez e consegui nessa segunda, mas nao sem um cancelamento (o meu trecho Salvador – Sao Paulo foi cancelado) e um atraso (no meu trecho Roma – Turin).

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Eu fiquei com um pouco de medo da imigracao, eu estava sem tempo (porque a minha conexao tinha menos de duas horas) e tambem porque na minha  frente tinha uma mulher da Albania que `tiraram` o couro dela, mas nao, para mim a imigracao foi super tranquila, eu entreguei todos os documentos que tinha impresso no balcao (comprovante do evento que vou e passagem de volta) e a mulher soh olhou por cima o papel, olhou pra minha cara e carimbou o passaporte, eu nao escutei a voz da agente de imigracao!!

Chegando em Turin, tive que descobrir como fazia uma ligacao para o meu amigo Michael, que estah me hospedando e tive que me virar no `italiano`, eu ateh tentei falar ingles mas o pessoal aqui a maioria fez cara de `wtf??`, eu descobri que eh mais facil falar em frances e eles entenderem do que em ingles!! Entao fui esperar o trem que ia do aeroporto pra cidade, o proximo trem sairia depois de uma hora, entao fui explorar alguns stands que estavam no aeroporto, tinha da Expo Milao e da Unesco, e ai descobri que o francces eh a segunda lingua de Turin (jah que a cidade fica perto da fronteira com a franca) e que o dialeto local do italiano se parece bastante.

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Estacao de trem do aeroporto de Turin, com certeza tem status esperar o trem aqui!

Depois encontrei meu amigo Michael e nos fomos almocar, eu adorei porque o Michael segundo ele mesmo `ama comer` e estah sendo tambem um guia gastronomico local! A comida italiana eh tudo que promete: deliciosa! No almoco comi pizza (como nao =P) mas uma pizza inteira! Eh realmente um crime cortar a pizza em fatias aqui! E tambem como entrada um prato que nao conhecia o nome, e tudo num restaurante bem tipicamente decorado (para mim, para o Michael a decoracao parece mais do sul da italia). Lah nos ficamos falando em esperanto e jah veio gente perguntar em qual lingua estavamos falando, eu achei interessante a simpatia dos italianos, eles parecem brasileiros (ou nos parecemos com eles) que vem falar com `estranhos` do nada.

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O tal prato de entrada, farinatta

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O restaurante

Depois fui para a casa do Michael onde conversei com o pessoal do evento que vou participar (dizendo que jah tava aqui, como vai ser, etc) e depois fui dormir, acordando Michael jah voltara do trabalho e me levou para jantar, parece que aqui eh costume: sempre tem entrada, prato principal, segundo prato e sobremesa separadamente (os italianos sabem como comer!) e comi uns queijos e tomate como entrada, raviolle como prato principal (e nunca comi um raviolle tao bom), como segundo prato comi feijoes verde (vi que tinha no menu, fiquei curiosa, mas eles nao comem como a gente, eles comem com a vargem e tudo! Eles cozinham a vargem! Eh bem diferente) e algo chamado `torta da avo` como sobremesa. Novamente o pessoal do restaurante ficou curioso por saber que lingua a gente falava (eles nao sabiam reconhecer e o Michael falava o dialeto local com o garcon, entao eles ficaram curiosos) e ai o Michael fez uma `mini palestra` sobre o esperanto no restaurante, ele comecou respondendo a pessoa que perguntou, soh que como os italianos gritam o resto do restaurante ouviu e outras pessoas se interessaram e vieram perguntar! Achei muito legal tudo isso, os italianos parecem muito ocm os brasileiros, e isso eh muito interessante, as ruas aqui se parecem muito com alguns bairros de Sao Paulo.

E assim foi o meu primeiro dia na Italia!!

#Partiu Itália

Quem me acompanha no facebook sabe: eu estou indo para a Itália semana que vem!! Eu estou indo para o 3º Fórum de Desenvolvimento Econômico Local em Turim para participar de uma mesa redonda sobre empregabilidade de jovens a convite da ONU!! (Sim, vou ter o privilégio de discursar ‘na ONU’) e também representar a Organização Mundial dos Jovens Esperantistas (a TEJO) a qual faço parte no evento, isso é incrível, fantástico, bem melhor do que eu esperava!

Eu confesso que nunca me acharia capaz de falar em um evento a convite da ONU, mas eles me acharam capaz, e eu fiquei extremamente feliz quando soube que tinha sido selecionada! Eu me inscrevi nisso através da TEJO, a TEJO faz parte de uma rede de organizações de juventude chamada ICMYO, a ICMYO tem contato com a ONU e a ONU precisava de um jovem para falar nessa conferência, então eles mandaram um email para YCMIO que mandou um email com a chamada para as organizações, que chegou na TEJO e depois em mim, eu “na humildade” me inscrevi “só por me inscrever”, eu realmente não achava que iria ser selecionada (principalmente quando eu vi o perfil de outros inscritos e era gente que parecia aos meus olhos mil vezes mais qualificada que eu! Felizmente a ONU não tem a mesma visão que eu!). E isso foi há mais ou menos duas semanas, só soube que iria nesta segunda.

É uma responsabilidade tremenda pegar um microfone para falar na ONU, o mundo vai estar me ouvindo! Eu vou poder dar a minha visão de mundo e divulgar minhas ideias, isso parece tão mágico para mim! Sinceramente, apesar de já ter preenchido alguns formulários da viagem, ter feito hangouts com o povo de lá, etc. ainda não parece real para mim, parece que é demais, eu ainda me sinto num conto de fadas: cara discursar em nome da ONU, ONU!! Tem noção? Incrível! Tomara que eu não fale merda lá.

O que achei da Câmara dos Deputados?

Introdução: Eu falei no post sobre mulheres e computação que tinha participado de um evento em Brasília a convite da câmara dos deputados onde passei uma semana convivendo, e nesse post eu gostaria de falar um pouco mais sobre o que eu achei de lá, e posso dizer desde já que essa experiência foi uma quebra de paradigma.

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O que achei da Câmara?

A primeira coisa que me surpreendeu lá foi perceber que a câmara dos deputados é um lugar público, eu estava ainda com um pouco da embaixada dos Estados Unidos na cabeça (um dos lugares em que passei mais tempo em Brasília fora hotéis), que mero humanos praticamente só podem visitar a área de visto, é ir do portão correndo para a sala de entrevistas e sair, o resultado é que quando entrei lá como convidada da embaixada só tínhamos nós (os convidados) e os funcionários, sem visitantes de outro tipo. Esperava que na câmara fosse algo nesse estilo, afinal há tantos homens e mulheres importantes lá, mas não: qualquer pessoa pode entrar livremente na câmara, só tendo que passar por uma máquina de detector de metais e colocar a bolsa para passar num raio x, isso me surpreendeu, não sabia que era assim!

Vocês já podem imaginar que permitindo a entrada de qualquer um que não porte algo parecido com uma arma, o tipo de maluco que deve entrar lá! A primeira coisa que vi que me chamou a atenção foi um acampamento de idosos no salão verde protestando contra os baixos salários de aposentados, mas isso foi só o começo, foi cada loucura que vi por lá: índios, freiras, um cara com uma máquina de costura fazendo saias para homens protestando contra a proibição de homens entrarem assim no senado (para o senado precisa-se entrar do que eles chamam de traje passeio, aka terno e gravata para homens e terninhos podendo ter saias para mulheres, ou para visitantes calça comprida e saias compridas, não se pode entrar de bermuda ou mini-saia no senado), já que mulheres podiam, por que homens não? Mas a coisa mais louca que vi por lá foi uma velha maluca seguindo o representante do banco mundial no Brasil que tinha uma das teorias da conspirações mais loucas que eu já vi: aquela velha dizia que órgãos como a ONU e o Banco Mundial eram dominados pelas pessoas mais poderosas do mundo (até aí tudo bem…) que são os… tandandan Islâmicos! Isso mesmo, os islâmicos que estão tentando sobreviver lá na Síria ou no Iraque dominam o Banco Mundial, bem mas aí é que vem o mais absurdo: os islâmicos usam esses órgãos como financiadores de movimentos feministas, porque as feministas usam o público LGBT como MASSA DE MANOBRA (isso mesmo MASSA DE MANOBRA) para controlar a população mundial, já que a chave do islamismo dominando o mundo é o não controle populacional de outros povos, e ela estava lá gravando tudo que o homem dizia com seu tablet tentando achar algo que prove a sua teoria (E depois fui pesquisar e vi que não era só ela quem tinha essa teoria maluca, muitas pessoas também tem, tem um vídeo no youtube sobre o assunto: https://www.youtube.com/watch?v=tYXkd4sTorw)

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Idosos acampados na câmara (sim eles estavam dormindo lá)

Outra coisa que me surpreendeu foi não sobre a câmara, mas sobre os deputados, eu percebi que 1: deputados trabalham mais do que eu esperava, e 2: eles não são nada mais do que nós somos em pequena escala e 3:alguns são pessoas bem razoáveis. Explico melhor, 1: pelo o que é dito na mídia, parece que a câmara dos deputados é um lugar vazio de corpo e alma, que quase não é possível ver deputados por lá, de fato sexta de tarde fica bem assim, mas nos dias normais eles estão lá: ou atendendo nos gabinetes ou nas várias plenárias que existem (não só tem aquela principal, mas também várias plenárias menores). 2: Lá eu percebi que eles realmente parecem com o que somos, em (quase) toda festa familiar ou roda de “colegas” na universidade ou no trabalho pode-se ver que sempre tem um militarista doido, um evangélico radical, um gay cheio de ideias esquerdistas, um palhaço, um esportista, etc; isso só veio reforçar na minha mente a ideia de cada povo tem o governo que merece. 3: Eu antes tinha a ideia que todo político era semi-analfabeto, só se tornava político quem não concluia nem a quarta série com preguiça de estudar, tudo safado, dentre várias outras coisas que se dizem, mas eu conheci alguns deputados que eram bastante inteligentes e com quem dava para ter uma discussão num nível muito bom: conversei bastante com a ex-deputada do meu estado, Nilda Godim, sobre feminismo, ONU, políticas, etc (ela até me deu o cartão de visitas dela, me senti super chique =P), e também vi numa palestra do deputado Jean Wyllys algo que me chamou a atenção: o deputado quando faz campanhã não pode ter um palavrear muito difícil, muitos reclamam dele porque aparentemente ele não sabe diferenciar coisas simples (Como gênero e identidade sexual) em alguns dos seus discursos mas na verdade, algumas coisas que ele diz já são muito para muitas pessoas que o ouvem: a grande maioria dos brasileiros, infelizmente, nunca entrou na universidade e teve uma educação básica muito ruim, não dá para “falar difícil” num discurso político, é claro que há outros iletrados, burros, analfabetos políticos etc, mas gostaria de frisar que o outro lado existe.

Ainda que tem muitas outras coisas que me chamaram atenção, como por exemplo, a câmara, mesmo não parecendo, sofreu muitas alterações desde a sua fundação, como a construção de vários anexos (foto abaixo). Mas o que eu me lembro de principal ou mais chocante para mim foi falado aqui, se for falar tuuudo vai dar um post gigante, como disse para alguns amigos, uma descrição curta para a câmara dos deputados é Wonderland(porque é um lugar louco) e descrever as aventuras de Ana no País das Maravilhas daria pelo menos um livro =P.

E vocês, já visitaram a câmara? Tiveram uma impressão diferente da minha? Deixem nos comentários ;D

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Foto da câmara a partir de um dos anexos.

Estou ficando importante!!

Para quem começou nessa história de blog sem nenhuma pretenção, eu já estou ficando importante 😀 Quinta feira passada saiu o meu primeiro post como blogueira convidada em um blog beeem maior que o meu! Trata-se do blog da TV escola, o pessoal do MEC me convidou para lá para escrever um pouquinho da minha experiência no Caminhos do Mercosul, programa com o qual eu fui para a Colômbia!

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Devo dizer que fiquei muito honrada com o convite e também muito feliz. Escrever é algo que gosto muito de fazer e ter um espaço maior para mostar o que eu vivi para outros jovens me deixa encantada! Gostaria que todo mundo pudesse ter alguma das oportunidades que tive, e participar de um programa como o Caminhos do Mercosul é algo que desejo para todos.

Tudo isso (post, divulgação) é por causa da próxima edição do Caminhos do Mercosul, que dessa vez levará 6 jovens brasileiros (entre 14 e 17 anos) para a Amazônia! Alguns itens úteis relacionados com tudo isso:

Bem, é isso! Participem do Caminhos do Mercosul ou incentivem quem possa a participar 😀

Literatura costumbrista colombiana

Em 2013, fiz o seguinte texto que foi um dos ganhadores do concurso de redações “Camiños del mercosur”. Espero que apreciem:

CAMINHOS DO MERCOSUL 2013

A Rota do Café”

A literatura popular Colombiana:

O Costumbrismo

Ana Maria da Costa Ribeiro

Campina Grande – PB

Maio de 2013

    1. Introdução

A literatura chamada como popular colombiana na convocatória deste trabalho nada mais é que a literatura costumbrista da Colômbia. O costumbrismo, podendo ser melhor traduzido por costumismo, é uma corrente artística-literária típica de países de línguas espanholas, segundo Chang-Rodriguez e Filer o costumbrismo literário é

Tendencia o género literario que se caracteriza por el retrato e interpretación de las costumbres y tipos del País. La descripción que resulta es conocida como “cuadro de costumbres” si retrata una escena típica, o “artículo de costumbres” si describe con tono humorístico y satírico algún aspecto de la vida..” (CHANG-RODRIGUEZ e FILER1988, Voces de Hispanoamérica , p 535.)

Em outras palavras, podemos dizer que o costumbrismo se caracteriza principalmente por mostrar a realidade e costumes de seus países. Apesar de conversar com o realismo, o costumbrismo se diferencia deste por apresentar uma visão crítica da sociedade enquanto o primeiro limita-se a descrevê-la, tendo o autor como um elemento neutro.

Há autores que apresentam o costumbrismo como uma face do romantismo, “Esse gênero não existe descolado de outros movimentos literários, há uma vinculação entre romantismo e costumbrismo” (RIBEIRO, 2009, Costumbrismo, hispanismo e caráter nacional em Las mujeres españolas, portuguesas y americanas: imagens, textos e política nos anos 1870. , p. 49), no entanto a grande parte dos autores o considera como um gênero independente.

Apesar de ser um gênero literário normalmente associado a língua espanhola, as origens do costumbrismo são um tanto quanto duvidosas, há indícios de que na verdade ele nasceu na Inglaterra e na França, segundo KIRKPATRIK (1978, The Ideology of Costumbrismo, p.28) Calderón apresenta o costumbrismo como um gênero espanhol começado no século XVIII por Clavirjo e Farjado, no entanto, os próprios costumbristas espanhóis se apresentam como uma adaptação do modelo francês, tendo como principais preceptores Victor Joseph, Etiénne e de Addison e Steele da Inglaterra.

Entretanto, ainda segundo Kirkpatrik, o costumbrismo como gênero literário ganhou importância real na Espanha do século XIX pela necessidade de mostrar de alguma forma as mudanças sociais que estavam ocorrendo neste período. O país encontrava-se numa situação caótica: tinha passado pela crise da independência da maioria das suas colônias na América na primeira metade deste século. Além disto, foi um período marcado por conflitos internos e intervenção estrangeira. Neste contexto, os artistas tentavam retratar e analisar criticamente a sociedade através da margem para fazer observações mais desapaixonadas e críticas, por isso a maioria dos autores costumbristas usavam pseudônimos.

Na América espanhola, o costumbrismo começou a se espalhar como um gênero popular, o principal expoente latino-americano do costumbrismo é o Peru, porém a Colômbia também tem uma forte literatura deste gênero, que tem como um dos temas, a rota do Café. Este trabalho analisará o costumbrismo colombiano no contexto da rota do café.

    1. O Costumbrismo na Colômbia

O costumbrismo foi o início da busca de uma literatura própria a da Colômbia, pois perceberam que a literatura poderia ser construída a partir da observação dos costumes nacionais, sem precisar adotar padrões, cenários e personagens europeus para escrever. Neste país, o movimento aparece entre os anos de 1830-1880, os costumbristas colombianos se dedicaram a mostrar uma sociedade de um país que acabara de nascer.

Os principais temas abordados pelos costumbristas colombianos em suas obras eram a vida rural e campestre, onde se fala da vida, das crenças e das formas de expressão dos povos que viviam em áreas ; o encontro entre o campo e a cidade e o campo e a rejeição de uma nova visão de mundo; e a criação de personagens que representassem as pessoas da sociedade, para não correr o risco de citar nomes, como sacerdotes, fazendeiros, policiais, entre outros.

A literatura era escrita por grandes proprietários de terras cultos, que não se diziam escritores, mas nos seus momentos de ócio acabavam por escrever textos que retratavam a sua realidade – Os trabalhadores rurais e o encontro da cidade e do campo. Por isso, a rota do café é um tema frequente nestas obras, já que a agricultura colombiana é grande parte composta pelo cultivo do café.

As principais características da literatura costumbrista colombiana são as seguintes:

  • Predomínio da descrição no lugar dos diálogos;

  • Propósito didático, moral ou político;

  • Prosa regional e local;

  • Procura defender a tradição local no lugar de influências estrangeiras;

  • Gírias locais na sua linguagem;

A novela foi o maior dos gêneros literários do movimento costumbrista, com grande número de adeptos na Colômbia, dentre eles podemos destacar José Miguel Marroquín Riquarte, José Eustáquio Paláquio e José Eugênio Diaz Castro, do qual falaremos da sua novela Manuela.

      1. Análise da Novela Manuela

Na Colômbia,uma das principal novela que tem como palco as comunidades rurais, como a da rota do café, é “Manuela” de José Eugênio Díaz Castro (1858), que foi um homem de campo e de educação própria.

A novela começa falando sobre um rapaz altamente educado (Demóstenes Bermúdez), que já tinha ido para França e para os Estados Unidos, o que é um símbolo de status na sociedade colombiana da época, este rapaz era noivo e tinha rompido o seu relacionamento.

Para relaxar, vai até um povoado campestre situado a um dia de distancia de Bogotá. Esta região é conhecida pelo cultivo do café e da cana-de-açúcar. O povoado da novela é um que não existe na realidade, e é chamado “Las Parroquias”, ele tem como característica ter um povo simpático e acolhedor.

Neste povoado, Demóstenes se abriga na casa de pensão da jovem Manuela, uma moça de 17 anos que foi prometida em um casamento arranjado com Dámasco, um jovem que trabalha em Ambalema, uma cidade distante. Lá, eles tem extensos diálogos, onde é possível que o leitor conheça os principais pontos de uma comunidade campestre colombiana. Apesar de ambos estarem comprometidos, a relação entre Manuela e Demóstenes não deixa de ser um tanto romântica, em algumas passagens como a seguinte, em que a Manuela ensina Demóstenes a dançar, podemos ver o clima que existia entre os dois:

Manuela ejecutó la primera lección, y su maestro se quedó admirado de sus buenas disposiciones. Ella había bailado valse dos o tres veces.

-Ahora te dejas rodear la cintura con uno de mis brazos y me entregas una mano a todo mi albedrío,

Don Demóstenes rompió el baile por la orilla de la sala, pero la discípula se resistía.”(DIAZ CASTRO, Manuela pag:81)

Um dos personagens de que eles falam, é Tadeu Forero, um draconiano -Político liberal não extremista – que deixa o vilarejo apreensivo por causa da sua influência. Ele é um tinterillo (alguém que começou a se formar em direito mas nunca concluiu e por isso faz trabalhos burocráticos a baixos custos) e faz diversos trabalhos ilegais e que enganam a população, secretamente, ele estaria manipulando o resultado de eleições que estariam para acontecer em breve. Além disso, Tadeu Forero é um homem que abusa de jovens, anteriormente, a maior vítima dos seus abusos tinha sido uma jovem chamada Cecília, no entanto ele passa a perseguir Manuela. As intrigas, a perseguição e tudo isso fazem com que Manuela fique no eixo da novela e que toda história fique ao redor dela.

O livro tem um final trágico: Demóstenes volta a cidade para se reconciliar com sua noiva; Manuela resolve se casar com Dámasco, no entanto, Tadeu coloca fogo na igreja para impedir o casamento de ambos. A jovem morre e a população é invadida pelo governo que tenta combater a “Revolución”.

Neste livro podemos ver quase todas as características do costumbrismo. O autor cria personagens fictícios para representar figuras da sociedade comum da época: Temos a figura dos camponeses, dos fazendeiros, do rapaz rico da cidade, do homem de negócios que esplora as pessoas, os militares do governo.

Temos o campo e as relações das pessoas deste como palco principal do livro, que constroem o seus “Cuadros Costumbres”, no entanto, apesar de a literatura costumbristas normalmente ser associada a falta de diálogos e ter grandes descrições, no entanto Manuela tem muitos diálogos e grande parte das descrições são em forma de diálogo.

    1. Conclusão

Há os que dizem que café é a bebida dos intelectuais, e talvez seja mesmo: Ele da energia , vontade e inspiração para fazer árduos trabalhos, desde produções cientificas à literárias. Esta energia trazida pelo café também é a energia do desenvolvimento econômico e social que vinheram para as províncias de Quíndio, Caldas e Risaldas, é a energia que faz belas paisagens e que também dá fama a Colômbia; mas não é só isso: As plantações deste belo grão também são inspiração para uma das literaturas mais facinantes que existe: O Costumbrismo Colombiano.

Estas plantações, cercadas de povoados cheios de gente amável, foram genialmente retratadas nas novelas e contos, através do “cuadro de costumbres” vemos nas palavras dos gênios da literatura o quão bela e emocionante as paisagens da Colômbia são. Já através dos “artículos costumbres”, era possível ler a crítica desses autores da sociedade em que habitavam.

Através destes relatos, a Colômbia foi montando a sua literatura: Sem temas Europeus ou de outras regiões do mundo. Podemos concluir que a observação do seu próprio país e cultura já é suficiente para a construção de uma literatura nacional fantástica.

REFERÊNCIAS:

Chang-Rodríguez, Raquel y Filer, Malva E.: Voces de Hispanoamérica. Antología literaria. Heinle & Heinle Publishers, Inc. Boston, Massachusetts, l988.

RIBEIRO, Edméia Aparecida. Costumbrismo, hispanismo e caráter nacional em Las mujeres españolas, portuguesas y americanas: imagens, textos e política nos anos 1870. Assis, 2009, 266 p. Tese (Doutorado em História) – Universidade Estadual Paulista.

KIKPATRICK, Susan. The Ideology of Costumbrismo. University of California, 1978.

Díaz Castro, José Eugenio. “Manuela” (1858). Edição online, disponível em <http://www.biblioteca.org.ar/libros/10024.pdf>, acesso em 25 de Maio de 2013.

Praias em vilas do Nordeste

Bem, nesse post vou falar de algo que adorei visitar melhor: Algumas das mais belas praias do mundo. Tem algumas que ainda quero visitar, dentre elas Maragoji, Porto de Galinhas, Noronha, Jericoacoara e Lençóis Maranhenses mas vou falar das três praias que mais gostei que já estive.

3 – Mangue Seco – Bahia

Mangue Seco é uma vila de pescadores no interior da Bahia, perto da divisa com Sergipe. A cidade grande mais perto é Aracaju, fica à cerca de duas horas da capital sergipana. Fui lá num bate e volta de um dia. Nesse lugar foi gravado parte da novela “Tieta do agreste” da rede globo, e também o livro de Jorge Amado de mesmo nome se passa lá. A praia é linda como qualquer outra praia nordestina, lá você não pode deixar de comer um delicioso pastel de aratu, um primo distante do caranguejo infinitamente saboroso, na minha opinião, o melhor do lugar é esse fruto do mar, voltaria lá apenas para comer mais dele. O passeio de bug é outra atração imperdível.

O pior do passeio é que a cidade é muito quente e não é calçada, então passear pela vila de pescadores se torna algo desconfortável para os pés porque a areia é muito fina e a cada passo se afunda. Além disso, fui em alta estação, o que fez o lugar estar lotado de turistas, e beem caro mas já me disseram que na baixa estação é mais barato.

2 – Pipa – Rio Grande do Norte

Pipa é uma praia maravilhosa! Linda, mesmo, uma das mais bonitas que já estive. A vila de Pipa também é um show a parte, com uma vida noturna super intensa, desde bares a casas de shows, e baladas. Além disso, se você gosta de escutar línguas diferentes e se sentir no exterior (sqn =P) Pipa é o lugar ideal no Brasil: Você escuta alemão, francês, italiano, esperanto, espanhol a língua que for. A cidade mais próxima é Natal, mas também dá pra chegar de João Pessoa/Campina Grande descendo em Goianinha e pegando uma lotação até Pipa, passei dois dias nessa praia em 2013 com amigos do esperanto.

Pipa seria o paraíso de perfeição para mim se não fosse um detalhe: o preço. Infelizmente, o lugar é bem caro, é possível comer lagostas com água Perrier em alguns dos restaurantes da vila, mas não sem ir a falência. Há lugares baratos para se comer e para ficar, mas em comparação com outros lugares que eu fui, Pipa é bem cara.

A melhor coisa de Pipa fora a vida noturna, é ficar sentado nesse espaço que fica entre o mar e uma piscina natural de água doce, e pedir para os garçons trazerem comidas/bebidas para você. Eles vão atravessar a piscina de água doce com seus pedidos na cabeça.

1 – Canoa Quebrada – Ceará

Acho que Canoa foi a melhor cidade de praia no interior do Nordeste que já visitei. A praia é linda, mas não só isso, as areias são um show completamente espetacular. É maravilhoso a vista que você tem das falésias, mas não só isso, também das areias coloridas de Canoa, é lindo. O passeio de bug é um pouco salgado(50 reais por pessoa) mas essêncial  para conhecer as principais atrações.

Canoa não tem uma vida noturna tão boa quanto a de Pipa, há sim, muitos restaurantes, barzinhos, etc. mas não é a mesma coisa. O que faz Canoa irresistível além das lindas atrações naturais é também o preço, em comparação à Pipa, ela é baratíssima.

O artesanato de Canoa também é maravilhoso, em todos os lugares podemos ver mulheres rendeiras vendendo suas rendas a preços consideráveis. Canoa é maravilhosa, quero voltar lá com certeza e super recomendo.

Canoa ❤

Areias coloridas

Este post só me fez ficar ansiosa pelas próximas férias! Para onde irei?

PS: Todas essas viagens fiz com amigos que conheci através do Esperanto, é um jeito muito legal de conseguir companheiros de viagens e guias locais 😀 ;D 🙂