Passeando por Turim

Turim é uma belíssima cidade, capital do Piemonte. Turim foi a primeira capital da Itália quando esta se unificou (antes de Florença e Roma!), por isso tem toda a estrutura de uma cidade real: palácios e mais palácios! O evento que eu fui mesmo, ocorreu no “Polo reale” (mais especificamente no palácio Madama) de Turim, e era maravilhoso! Eu confesso que não vi tanto da cidade quanto gostaria (pouco tempo na cidade, agenda apertada), mas o pouco que vi me agradou muito!

Eu confesso que não tinha muito roteiro por Turim, eu sai andando na cidade feito uma louca e entrando nos lugares que me chamavam a atenção (a cidade é muito fácil de se andar, e além disso eu sabia que se me perdesse eu podia procurar qualquer parada de ônibus com o número 11 para voltar para onde estava hospedada), o que não foi tão ruim! Eu cheguei em alguns pontos que me encantaram muito, ver as ruínas dos romanos (a cidade foi fundada por romanos no século 2 A.C.), a cidade tem um portão romano que murava a cidade no início da mesma! Eu também achei muito legal um resquício de anfiteatro romano que ainda era usado para apresentações artísticas!

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Anfiteatro romano

Anfiteatro romano

Portão romano

A parte católica de Turim também é imperdível! Eu fui entrando em todas as igrejas que via pela frente, porque tinha certeza que viria uma obra de arte! Eu sabia também que Turim é a cidade do Santo Sudário, mas não sabia onde ele ficava! Até que por um acaso entrando nessas igrejas da vida, entro na catedral da cidade, onde o Santo Sudário fica guardado!

Foto do altar da catedral de Turim

Foto do altar da catedral de Turim, o sudário fica nessa parte dourada a direita

Onde o sudário fica guardado

Onde o sudário fica guardado

Turim é altamente conhecida também pelos seus museus, infelizmente o único bom museu que tive tempo de visitar foi o museu egípcio (entrei em alguns museuzinhos de igreja que não valem tãao a pena), gostaria de ter visitado também outros museus, como o museu do cinema, e uma vila medieval que são bem famosos também, mas não tive tempo (espero que eu tenha oportunidade de voltar!). O museu egípcio de Turim é o segundo maior museu egípcio do mundo (o maior fica no Cairo), me lembrou muito os museus do Smithsonian que visitei nos Estados Unidos, que para mim são os melhores museus que já visitei (a título de comparação, o pior museu que visitei foi o do homem sergipano em Sergipe, não tem nada de interessante para se ver, então a minha escala de museu tem o do homem sergipano na base e os do Smithsonian no topo, quanto mais próximo de um museu do Smithsonian, melhor é o museu na minha escala e o museu egípcio de Turim é nível Smithsonian, ou seja pontuação máxima na minha escala).

O que achei mais interessante no museu egípcio de Turim é que ele não é só egipcio, ele é romano também! A primeira peça que nos deparamos lá é uma peça romana que tenta imitar o estilo egípcio, e meio que foi pela descoberta dessas peças romanas que os italianos começaram a ter interesse de buscar mais e mais sobre a arqueologia egipcia e trazer cerca de 20 mil peças do Egito para Turim.

Peça romana no início do museu

Peça romana no início do museu

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Múmias no museu, me senti num filme =P

Turim também é uma ótima cidade para se fazer compras, se equipara até a Milão! Tem lojas de tudo quanto é grife e marca famosa: Prada, Chanel, Armani, Louis Vuitton, Dior, Dolce&Gabbana, etc. e várias marcas de maquiagem também: MAC, Sephora, etc. Como sou pobre, é claro que não comprei nada nessas grifes, só maquiagem 😛 Mas também tem loja muito boa a preços mais acessíveis xD, além disso, todas as manhãs num lugar chamado “Porta Palazzo” eles fazem uma feira, que segundo o que me disseram é a maior feira a céu aberto da europa, é ótimo para comprar queijos, massas, fungos etc. (apesar da maioria das comidas não poderem ser trazidas para o Brasil, também é bom para se comer lá, eu trouxe um macarrão pra casa ^^).

Feira a céu aberto em Turim

Feira a céu aberto em Turim

Basicamente foi isso que fiz na capital de Piemonte!

Itália: nunca me senti tão em casa

Na minha viagem a Itália foi a primeira vez que me senti realmente bem recebida num país no exterior por ser brasileira. Quando fui para os EUA, e dizia que era brasileira, uma boa parte mal sabia qual língua falávamos ou qual era a nossa capital, alguns ainda acertavam que falávamos português e que era Brasília, mas era a minoria. Na Colômbia eu de fato falei com poucos colombianos, mas a impressão geral era de que eles viam o Brasil e os brasileiros como um país mais desenvolvido na mesma região, e por isso havia muita influência brasileira lá (como música brasileira, comida brasileira, etc) mas não uma verdadeira “paixão” pelo país.

Quando fui para Itália a primeira coisa que me fez ver que o Brasil era muito amado foi uma revista de bordo da Alitália com o Rio de Janeiro na capa e por dentro uma reportagem de 5 páginas sobre música brasileira, eles falavam de Gaby Amarantes, de Maria Gadu, entre vários outros cantores não “tão famosos” do Brasil (nos EUA só conheci gente que conhecia no máximo Tom Jobim, mas ninguém sabia desses cantores mais recentes), eu fiquei pensando: “ok, deve ser porque é um vôo internacional entre Roma e São Paulo, compreensível”, mas quando peguei o vôo local entre Turim e Roma, a mesma revista estava lá :3

Eu falei sobre a revista para o meu amigo que me recebeu em Turim assim que cheguei lá e ele disse que os italianos tem grande admiração pelo Brasil, que São Paulo tinha mais italianos que Roma e que eles sabiam disso. Depois disso eu comecei a tentar conversar com italianos na rua, no ponto do ônibus, na cadeira do lado etc. o “tentar” é porque meu nível de italiano é ridículo, tende a nulo, mas eu conseguia misturar o francês com português e espanhol com palavras chaves em italiano e falar algo que a maioria entendesse. Eles tendiam a ser bem simpáticos quando sabiam que eu era brasileira, e quando contava que a família da minha avó era de descendente de italianos eles sempre diziam: “Ah eu sabia que você tinha algo de italiana”, etc.

Eu descobri que também tem uma brasileirinha chamada Ana Maria Ribeiro que eles admiram muito: há ruas e estátuas em homenagem a ela, mas calma, não sou eu ainda, trata-se da esposa do grande herói local Giuseppe Garibaldi, descobri que por coincidência o sobrenome de solteira de Anita Garibaldi era Ribeiro, e o segundo nome era Maria :3

No geral os italianos eram super amáveis, eu cai uma vez de biclicleta na rua e já vinheram 2 ou 3 pessoas me ajudar, perguntando se eu estava bem, se eu precisava de ajuda, etc. eles também quando eu não começava a conversar, vinham umas velhas e começavam a conversar comigo, igual no Brasil, a pessoa já saia do busão sabendo de todas as dores no calcanhar da veia. eles eram bem curiosos também, perguntavam bastante coisa (como falei em outro post, o Michael fez duas mini palestras sobre o esperanto baseado na perguntação de outras pessoas), eu amei o temperamento dos italianos nessa curta experiência que tive. É claro que há pessoas mal educadas, mal humoradas, etc. mas a impressão geral é que a Itália é feita de um povo super amável e receptivo.

Minhas impressões sobre o Terceiro Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local

Como falei dois posts atrás, eu fui para a Itália com um objetivo específico, a convite da ONU através da TEJO eu fui participar do 3º Fórum de Desenvolvimento Econômico Local e aqui vou contar as minhas impressões sobre o evento.

O evento era super luxuoso, ele aconteceu no Palácio Real de Turim, no centro da cidade, ao lado de lojas chiquérrimas como Armani e Prada. O secretário geral da ONU, Ban Ki Moon, esteve presente no final do evento para discursar na plenária principal, fora ele haviam muitas pessoas importantes do mundo todo.

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Discurso do secretário geral da ONU no encerramento do evento

Tinham sido montada no jardim do palácio real uma tenda enorme que era a plenária principal onde todas essas pessoas importantes falavam, e outra tenda no pátio do palácio que eram subdivididas em várias mini tendas onde pessoas menos importantes (como eu) tinham a oportunidade de discursar, foi numa dessas mini tendas que discursei a primeira vez num evento oficial da ONU, junto com mais duas pessoas, uma do Egito e outra da Macedônia. Eu fui a única que discursei em inglês, a moça do Egito preferiu discursar em Árabe e o homem da Macedônia preferiu discursar em francês: eu não pude discursar em português porque a minha língua não é uma língua oficial da ONU.

A mesa redonda que participei.

A mesa redonda que participei.

Eu estava lá em nome da TEJO e para representar ideias da organização (que claro, concordo), o tema da nossa mesa redonda era empregabilidade de jovens. A moça apresentou os desafios encontrados por jovens egípcios depois da primavera árabe em encontrar emprego e do trabalho da Organização Mundial do Trabalho para ajudá-los. Eu falei um pouco dos problemas linguísticos encontrados por pessoas que querem encontrar trabalho: muitas vezes o fato de falar ou não uma língua (e não só o inglês, mas como também o alemão, francês, etc) é algo excludente no processo de seleção de muitos empregos, enquanto ter um time internacional e diverso é bom para o ambiente de uma empresa. O cara da macedônia apresentou um projeto que estava sendo desenvolvido lá estilo PRONATEC. No meu painel não havia tradução para todas as línguas da ONU, faltavam traduções para o chinês e o russo, em algumas outras salas faltavam traduções para o espanhol além dessas, só haviam as 6 línguas oficiais na plenária principal.

Eu fiquei um pouco chateada com o evento quando soube que não poderia discutir em português mesmo o Brasil tendo uma boa delegação lá e o SEBRAE sendo um dos principais patrocinadores do fórum: mesmo sendo feito com dinheiro brasileiro, o português não era passível de ser falado lá. Como sabia que ia ter que falar inglês, francês ou espanhol com as pessoas lá dentro e que ter que discursar em inglês (porque o inglês dentre estas línguas é a que domino melhor) resolvi falar inglês desde a entrada quando me barraram: eu expliquei para o segurança que queria pegar meu crachá em inglês, mas de todos os que estavam ali só um falava inglês e não tão bem, ele achou que queria comprar o ticket para visitar o museu do palácio real, eu tive que explicar melhor em “portitaliano” (eles entendem se a gente falar português devagar e com algumas palavras chave em italiano) o que eu queria.

O evento era fechado para o público local eu acho que um fórum de desenvolvimento econômico local também deveria beneficiar o vendedor de lembrancinhas que tinha um quiosque na praça em frente ao palácio e não só aqueles detentores de convites da ONU. Felizmente o pessoal do evento também achava isso, por isso colocaram um telão do lado de fora do palácio que transmitia para a praça o que estava sendo discutido lá dentro. O evento tinha sido bem divulgado pela cidade, haviam cartazes, banner e painés (todos em inglês) do aeroporto aos pontos de ônibus de Turim, mas não havia quase ninguém assistindo o que estava sendo discutido dentro do palácio da praça.

Telão do lado de fora do palácio

Telão do lado de fora do palácio

A língua era um dos principais motivos, as palestras da plenária principal eram quase todas em inglês e elas estavam sendo transmitidas em inglês sem tradução simultânea ou legendas para o italiano: o inglês em Turim é falado no mesmo nível que no Brasil, muitas pessoas não passam do “what is your name?” aprendido na escola, as que “falam” não falam no nível de discutir economia e política, assim como no Brasil, são poucas as pessoas que compreendem e que interagem numa palestra em inglês sem tradução. A língua era um dos principais motivos que dividiam os que tinham acesso no que estava sendo discutido no palácio para as pessoas da rua, para ouvir e ser ouvido ali precisava-se falar uma língua da ONU, e o italiano não é uma delas.

Italia: chegada e primeiras impressoes

Estou escrevendo sem acento porque o computador que tenho acesso aqui nao tem isso =P (pelo menos nao que eu reconhecesse).

Pois bem, jah estou na Italia e pense que luta pra chegar aqui! Comecei tentando domingo, mas ai o pessoal que emitiu a minha passagem escreveu errado meu sobrenome e acabei dando viagem perdida no aeroporto! Liguei de volta para tentar embarcar mais uma vez e consegui nessa segunda, mas nao sem um cancelamento (o meu trecho Salvador – Sao Paulo foi cancelado) e um atraso (no meu trecho Roma – Turin).

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Eu fiquei com um pouco de medo da imigracao, eu estava sem tempo (porque a minha conexao tinha menos de duas horas) e tambem porque na minha  frente tinha uma mulher da Albania que `tiraram` o couro dela, mas nao, para mim a imigracao foi super tranquila, eu entreguei todos os documentos que tinha impresso no balcao (comprovante do evento que vou e passagem de volta) e a mulher soh olhou por cima o papel, olhou pra minha cara e carimbou o passaporte, eu nao escutei a voz da agente de imigracao!!

Chegando em Turin, tive que descobrir como fazia uma ligacao para o meu amigo Michael, que estah me hospedando e tive que me virar no `italiano`, eu ateh tentei falar ingles mas o pessoal aqui a maioria fez cara de `wtf??`, eu descobri que eh mais facil falar em frances e eles entenderem do que em ingles!! Entao fui esperar o trem que ia do aeroporto pra cidade, o proximo trem sairia depois de uma hora, entao fui explorar alguns stands que estavam no aeroporto, tinha da Expo Milao e da Unesco, e ai descobri que o francces eh a segunda lingua de Turin (jah que a cidade fica perto da fronteira com a franca) e que o dialeto local do italiano se parece bastante.

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Estacao de trem do aeroporto de Turin, com certeza tem status esperar o trem aqui!

Depois encontrei meu amigo Michael e nos fomos almocar, eu adorei porque o Michael segundo ele mesmo `ama comer` e estah sendo tambem um guia gastronomico local! A comida italiana eh tudo que promete: deliciosa! No almoco comi pizza (como nao =P) mas uma pizza inteira! Eh realmente um crime cortar a pizza em fatias aqui! E tambem como entrada um prato que nao conhecia o nome, e tudo num restaurante bem tipicamente decorado (para mim, para o Michael a decoracao parece mais do sul da italia). Lah nos ficamos falando em esperanto e jah veio gente perguntar em qual lingua estavamos falando, eu achei interessante a simpatia dos italianos, eles parecem brasileiros (ou nos parecemos com eles) que vem falar com `estranhos` do nada.

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O tal prato de entrada, farinatta

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O restaurante

Depois fui para a casa do Michael onde conversei com o pessoal do evento que vou participar (dizendo que jah tava aqui, como vai ser, etc) e depois fui dormir, acordando Michael jah voltara do trabalho e me levou para jantar, parece que aqui eh costume: sempre tem entrada, prato principal, segundo prato e sobremesa separadamente (os italianos sabem como comer!) e comi uns queijos e tomate como entrada, raviolle como prato principal (e nunca comi um raviolle tao bom), como segundo prato comi feijoes verde (vi que tinha no menu, fiquei curiosa, mas eles nao comem como a gente, eles comem com a vargem e tudo! Eles cozinham a vargem! Eh bem diferente) e algo chamado `torta da avo` como sobremesa. Novamente o pessoal do restaurante ficou curioso por saber que lingua a gente falava (eles nao sabiam reconhecer e o Michael falava o dialeto local com o garcon, entao eles ficaram curiosos) e ai o Michael fez uma `mini palestra` sobre o esperanto no restaurante, ele comecou respondendo a pessoa que perguntou, soh que como os italianos gritam o resto do restaurante ouviu e outras pessoas se interessaram e vieram perguntar! Achei muito legal tudo isso, os italianos parecem muito ocm os brasileiros, e isso eh muito interessante, as ruas aqui se parecem muito com alguns bairros de Sao Paulo.

E assim foi o meu primeiro dia na Italia!!

#Partiu Itália

Quem me acompanha no facebook sabe: eu estou indo para a Itália semana que vem!! Eu estou indo para o 3º Fórum de Desenvolvimento Econômico Local em Turim para participar de uma mesa redonda sobre empregabilidade de jovens a convite da ONU!! (Sim, vou ter o privilégio de discursar ‘na ONU’) e também representar a Organização Mundial dos Jovens Esperantistas (a TEJO) a qual faço parte no evento, isso é incrível, fantástico, bem melhor do que eu esperava!

Eu confesso que nunca me acharia capaz de falar em um evento a convite da ONU, mas eles me acharam capaz, e eu fiquei extremamente feliz quando soube que tinha sido selecionada! Eu me inscrevi nisso através da TEJO, a TEJO faz parte de uma rede de organizações de juventude chamada ICMYO, a ICMYO tem contato com a ONU e a ONU precisava de um jovem para falar nessa conferência, então eles mandaram um email para YCMIO que mandou um email com a chamada para as organizações, que chegou na TEJO e depois em mim, eu “na humildade” me inscrevi “só por me inscrever”, eu realmente não achava que iria ser selecionada (principalmente quando eu vi o perfil de outros inscritos e era gente que parecia aos meus olhos mil vezes mais qualificada que eu! Felizmente a ONU não tem a mesma visão que eu!). E isso foi há mais ou menos duas semanas, só soube que iria nesta segunda.

É uma responsabilidade tremenda pegar um microfone para falar na ONU, o mundo vai estar me ouvindo! Eu vou poder dar a minha visão de mundo e divulgar minhas ideias, isso parece tão mágico para mim! Sinceramente, apesar de já ter preenchido alguns formulários da viagem, ter feito hangouts com o povo de lá, etc. ainda não parece real para mim, parece que é demais, eu ainda me sinto num conto de fadas: cara discursar em nome da ONU, ONU!! Tem noção? Incrível! Tomara que eu não fale merda lá.