Quem pode usar turbante?

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Não quero dizer que o racismo não existe: sim, o racismo existe na sociedade brasileira. Sim, eu tenho de reconhecer meus privilégios: eu tenho menos chance de ser parada pela polícia que uma mulher negra; eu tenho mais chance de passar numa entrevista de emprego que uma mulher negra; eu tenho proximidade com a minha cultura e com a minha língua (sou descedente de portugueses e galegos). Sim, eu tenho que reconhecer os meus privilégios como uma pessoa branca, descendente de portugueses, no Brasil. Sim, eu quero que isso acabe: eu quero que as pessoas sejam corretamente julgadas pelo o que elas fizeram, não pela a cor da sua pele, ou pelo seu status social: que todos tenham o direito de falar a língua que lhe seja étnica, que tenham o direito de aprender sobre as suas culturas. Também defendo o intercâmbio cultural, a troca entre culturas, e o aprendizado e respeito mútuo.

Sim, eu entendo que o turbante é atualmente visto pelo movimento negro como um símbolo da luta de pessoas negras já que muitas escravas o usavam durante a época da escravidão para se proteger do sol. Sim, eu acho lindo quando eu vejo uma negra usando um turbante. Mas também não vejo nenhum problema de uma branca, japonesa, chinesa, árabe, o que seja começar a usar turbante ou qualquer outro ítem que seja adotado como símbolo pelo movimento negro.

Claro que aquilo para a pessoa negra brasileira tem um significado: representação da luta racial. Mas para uma pessoa Sikh, o significado é outro: é um símbolo de adoração, usado por homens (E não por mulheres), assim como é o hijab pelas mulheres árabes.

INDIA-RELIGION-SIKH

O post começou com a imagem de uma suástica não para ilustrar o racismo, mas para ilustrar que a mesma coisa pode significar diferentes coisas em diferentes épocas para diferentes pessoas: Na África, assim como na Ásia, o turbante é (era) um símbolo religioso. No Brasil, o turbante passou a ser usado por escravas marjoritariamente para se proteger do sol. Hoje pessoas que não tem nenhuma ligação com religião que usa turbante , usa isso como forma de simbolizar a luta racial. No caso da menina do metrô, ela não estava usando o turbante para mostrar que ela era religiosa ou que lutava pela causa negra: ela estava usando como ferramenta para se sentir com uma auto-estima maior. Que o turbante agora seja um símbolo de pessoas (com câncer) que lutam para se sentir com uma melhor auto-estima: por que não?

Em todos os casos citados acima, não há nenhum problema: é o mesmo símbolo com significados diferentes. O problema de apropriação cultural seria se por exemplo, se uma rede gigante como a C&A ou Riachuelo lançasse uma coleção “turbante” e colocasse manequins de turbante em frente a suas milhares de lojas: aí as pessoas negras que usam isso como um símbolo de luta, ou os religiosos que usam isso como um símbolo religioso seriam vistos apenas como pessoas que adotaram uma modinha da C&A promovida pela Revista Capricho e por diversas “blogueirinhas” (assim como é/foi sapato de plataforma, headband,  tenis branco). Esse é o problema da apropriação, e não pessoas (De qualquer cor, com câncer ou sem) usar turbante para promover a sua auto-estima. E isso foi o que aconteceu no caso do Nazismo, eles usaram tanto o símbolo tão vastamente, que hoje em dia ninguém se lembra mais do significado original: boa sorte.

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O que acho da Bel Pesce

Primeiramente, desculpa pelo sumiço, não é que não andei postando, estive postando no meu blog em inglês dedicado ao meu estágio na Mozilla: outreachy.anaplusplus.com

Resolvi comentar isso por causa dos escândalos recentes que envolveram o Zebeleo, que trouxeram a Bel para a mídia denovo e também porque muitas vezes as pessoas fazem uma associação minha com a Bel, dizem “Você deve amá-la” ou algo assim.

Descobri a Bel em 2011 ou 2012, quando ela estava começando a sua carreira de sub-celebridade e eu era uma estudante do ensino médio. Eu me lembro que ao ouvir falar da história dela, uma garota brasileira que tinha estado no Vale do Silício e no MIT (onde sonhava estar e felizmente já estive) e que tinha contado tudo isso num livro “A menina do vale”, me senti super mega inspirada para ler  o livro dela, me senti inspirada a continuar na carreira de informática e me senti representada.

Fiquei ainda mais feliz quando descobri que poderia fazer o download gratuíto do livro dela, sempre pensei que os livros deveriam ser gratuítos e paga quem pode e/ou quem quer ter uma qualidade melhor para o autor. O modelo que “A menina do vale” é distribuído é o modelo que sempre pensei que todos os livros deveriam ser distribuídos, fiz o download duma vez e comecei a ler o livro da tal pessoa: devo confessar que esperava mais. Nem lembro se terminei de ler ou não o livro, mas me lembro que foi uma pequena decepção, esperava ler mais sobre o dia-a-dia no vale do Silício, nos desafios que uma garota tem por lá, dentre outros. Mas o livro da Bel era só o tradicional discurso (muito perigoso por sinal) de “quem quer consegue, todo mundo pode fazer”.

Tudo bem, gostei da figura da Bel, mas não do livro num inicio de conversa, mas tudo bem, vida que segue. Além do livro, outra coisa que me decepcionou foi descobrir que a Bel Pesce não era mais uma menina do vale, que ela tinha voltado para se dedicar a escrever livros e fazer cursos sobre empreendedorismo (eu tinha gostado dela de início pelo fato de ser uma garota que trabalha com informática, se ela não é mais uma garota que trabalha com informática, por que gostaria dela?) mas não desisti ao todo da Bel, afinal ela ainda tinha sido “A menina do vale” e tinha distribuído seu livro da maneira que eu gostei.

Ano passado fui assistir uma de suas palestras do “Tour da Bel”, foi uma palestra legal porque encontrei conhecidos que não via faz tempo e que estavam lá e também porque ouvi historinhas que ela contou da vida dela, mas não achei que foi uma palestra enriquecedora e para mim soou como uma palestra para vender livros e curso. Fiquei com a impressão que a Bel é mais uma dessas figuras que vende o sonho de ficar rico para alguns tolos, e não a menina do vale amante de tecnologia de qual era fã no início.

Eu fiquei um pouco triste quando vi que ela queria abrir uma hamburgueria, um restaurante de carne que não tem nada a ver com tecnologia, não é um app, nem nada. Para piorar, queria dar chaveiros e camisetas para os investidores, no lugar do capital da empresa em ações equivalentes ao investimento. A Bel tecnológica que conheci no início, que imaginava ser uma grande programadora que escrevia linhas e mais linhas de código no vale do silício morreu na minha cabeça, para mim só existe uma Bel sem foco (que não sabe em que ela quer trabalhar, e tem 1 milhão de projetos mas nenhum com grande foco em desenvolver tecnologia de ponta), oportunista e charlatã como descrita no artigo do Izzy Nobre.

Não julgo as pessoas que se sentem inspiradas pelo discurso da Bel a se tornarem pessoas melhores, só digo que esse discurso não me inspira, nem a pessoa que ela se tornou. Eu julgo somente aqueles que apontam o dedo para um pobre e diz “Se quisesse poderia ter estudado no MIT como a Bel Pesce”, se esquecendo que os pais da Bel tinham grana no mínimo para bancá-la num dos melhores colégios particulares, pagar para ela fazer exames de admissão, etc.

Uniforme = opressão

Uma das coisas que mais me frustravam quando eu estudava na escola era o fato de ser barrada por está sem uniforme ou por está com o uniforme errado. Me lembro no primeiro ano (foi a primeira vez que fui barrada), na segunda feira tinha aula de manhã e aula de educação física a tarde, eu sempre ia com o uniforme da educação física na segunda (para não precisar ficar trocando, já que depois da aula eu ia pra casa), e um belo dia chegou alguém e disse numa segunda-feira de manhã “Se você não vai assistir aula de educação física, você não pode usar essa roupa”, foi extremamente frustrante ser expulsa da escola por está com o uniforme “errado”.

 

Depois eu resolvi comprar um All-star vermelho, e o regulamento da minha escola dizia que o sapato tinha que obedecer uma série de cores, e o vermelho não estava entre elas. Era triste porque eu não tinha outro tenis (minha mãe não queria comprar outro) e eu não podia ir para a escola com aquele, era tenso porque toda vez que eu ia para a escola, eu tinha que ficar me escondendo porque parecia que as “assistentes de aluno” tinham olho de águia para isso. Já teve uma vez também que eu estava fazendo prova de matemática e alguma assistente de aluno queria me tirar da sala porque eu estava usando um casaco que não fazia parte do uniforme (mas o meu professor deixou eu ficar).

Eu sou totalmente contra oprimir alguém por não ter a vestimenta correta, o uniforme não tem outra utilidade a não ser oprimir e fazer com que você pertença a uma massa, que você deixe de ter uma personalidade. Nem venha dizer que serve para pessoas não serem oprimidas pela classe social, que isso é notável no perfume francês que a pessoa usa, ou no brinco de ouro, pela pose, ou pelo carro em que a pessoa chega: não precisa ter roupas para se mostrar a classe social. Nem venha dizer que serve para identificar os alunos fora da escola: uma carteirinha bastava para identificá-los como aluno daquela instituição caso fosse preciso.

O uso do uniforme é algo sem sentido e irracional.

 

Um detalhe é que a escola que estudei é pública (Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia da Paraíba) e nenhum dos ítens do uniforme eram gratuítos, eles eram inclusive caros (soube que mudou hoje em dia, mas na época era assim).

Lula: herói ou bandido?

Vejo no meu Facebook diariamente posts que visam mostrar que Lula tirou milhares de brasileiros da miséria e ignoram o fato de ele ser realmente investigado por corrupção enquanto outros mostram só esse fato e ignoram tudo o que aconteceu no governo Lula: pois bem, esse é o maior problema com Lula, as pessoas já tem uma opinião super formada sobre ele (muitas o veem como o herói da pátria enquanto outros o veem como o destruidor da mesma) o que as impede de ter uma visão crítica e limpa sobre os fatos, e essa falta de pensamento crítico sobre o mesmo é o principal motivo de eu ser contra a volta de Lula em 2018 (se houverem eleições).

 

Lula herói do Povo?

Pois bem, é inegável que o Bolsa Família foi um modelo mundial de programa de distribuição de renda elogiado por diversas pessoas e instituições do mundo, o Bolsa Família foi sem dúvida a maior herança do governo Lula e a melhor coisa do PT, dentre outros programas de acesso das classes mais baixas à direitos. Críticas à ideia do Bolsa Família é algo inconsebível por qualquer pessoa sensata, o Brasil precisava daquilo pois a desigualdade social é e sempre foi o nosso maior problema (a sua aplicação em cidades onde  politicagem é colocada na frente da necessidade, isso sim pode ser criticado, mas não o programa em si).

Mas também é errado falar que Lula é a pessoa que fez o Brasil crescer como o Brasil cresceu, sempre que eu vejo amigos compartilhando dados econômicos do país nos anos 2000 e alguns anos antes eu faço a famosa “face palm”, Lula também não é um super homem. De fato, Lula pegou o país em um ótimo momento da econômia (que talvez não voltemos a viver nem tão cedo), não foi só o plano real e a estabilização da inflação como os coxinhas gostam de frizar, mas também acontecia algo no mercado internacional chamado “commodities boom”:  em econômiques, commodities são produtos in natura, como bens de agricultura (milho, soja, feijão, cana de açúcar, etc), minérios, etc.  e a principal fonte econômica do Brasil e dos países chamados do grupo BRICS são baseadas nos commodities : Alguns dependiam da exportação e outros da importação para fazer novos produtos, e com o Boom do preço dos commodities nas bolsas de valores do mundo os países que os exportavam e os que vendiam produtos “derivados” de commodities cresceram absurdamente (o grupo BRICS como um todo cresceu muito nos anos 2000). Mas por volta de 2014 o  preço dos commodities baixou novamente e os países do BRICS tiveram uma desaceleração geral no seu crescimento. Então Lula não foi o responsável pelo boom econômico do Brasil (assim como Dilma não é a grande responsável pela atual crise, o único erro do PT foi não ter diversificado a economia o suficiente), é claro que ele poderia ter pego um momento de grande crescimento econômico do país e não ter aproveitado, mas felizmente ele aproveitou para fazer programas de inclusão social.

 

Ou o grande bandido que pitam?

Ok, é inegável que Lula fez alguns programas para beneficiar as classes mais pobres e por isso ele é super popular, mas isto o torna incorruptível? É claro que não. Para mim não cola muito bem a desculpa que ele não fazia ideia do mensalão (voltando láa no tempo) mesmo tendo sido deputado por alguns anos antes de ser presidente, nem não cola que Dilma tentar nomeá-lo ministro logo depois das acusações não tem nem um pouco de declaração de culpa. O fato de Lula ter feito algo bom não o torna incorruptível, ponto. Logo parem de reclamar das investigações da Polícia Federal, quem tiver de ser preso será e se Lula roubou o fato de ele ter beneficiado a classe trabalhadora não o torna inocente.

Então em resumo: 1) Lula fez coisas boas, mas ele não é o super homem que seus defensores pintam; 2) É bem possível que ele já tenha se envolvido com corrupção, e ter beneficiado pessoas pobres não é um contra-argumento, o fato do PSDB também ter pessoas envolvidas na corrupção também não o inocenta.

 

Legalizar o aborto não adianta

Já fazia um tempo que não postava e para voltar resolvi fazer um post polêmico. Antes que digam qualquer coisa, eu não sou contra a legalização do aborto, só acho que ela é uma luta perdida pois não adianta de muita coisa.

As pessoas que são a favor da legalização começam dizendo: “O aborto já é legal no Brasil, as que tem dinheiro abortam tranquilamente, enquanto as pobres morrem. Ser contra a legalização é ser a favor da morte dessas pessoas”. Eu até concordava com esta máxima, até visitar os Estados Unidos e saber um pouco mais da história por lá. Nos Estados Unidos o aborto é legal em todo o país desde 1973 (e em alguns estados, bem antes), mas isso não significa que as mulheres pobres tem o  direito de abortar por lá…

Nos EUA, como muitos sabem, não tem sistema de saúde público (nem um precário SUS, para ver um médico que dá diagnóstico de virose, se vire para pagar uns U$ 150,00 se não tiver plano), e nenhum plano de saúde inclui “aborto” nos seus procedimentos, então se a garota quiser abortar ela deve chegar com o money in cash (cerca de U$1000,00 a U$2000,00) e entregar antes de fazer o procedimento, além disso em muitos estados conservadores (principalmente no Sul) não há clínicas nem hospitais onde se pode fazer um aborto. Agora imagina uma garota pobre viajar estados e ainda pagar mais de mil dólares nisso, seria o equivalente de uma menina da Paraíba viajar até São Paulo e pagar uns 4, 5 mil reais nisso (procedimentos cirurgicos na rede particular são caríssimos assim), seria inviável! Meninas pobres nos EUA continuam morrendo em clínicas clandestinas [0], o que também aconteceria com meninas pobres no Brasil.

Mas pois bem, vocês devem argumentar  que no Brasil não é como nos EUA, nós temos o nosso amado SUS e que o amigo do seu parente foi muito bem recepcionado lá… Vamos combinar que o SUS é bom quando se trata de atendimento de emergência (aka diagnóstico de virose, vacinar a galera e engessar braços) mas se você quiser um atendimento de um médico especialista é muito difícil, e piora ainda mais no interior… Se a paciente não tiver condições de ir para uma cidade maior para se consultar com um obstetra, ela vai continuar parindo/abortando sem acompanhamento (mesmo com o mais médicos).

No caso de aborto a situação seria ainda mais difícil para essas mulhers: imaginem num Brasil católico quantos obstetras estariam dispostos a fazer abortos? Há um dado sobre a Itália (país tão cristão quanto o Brasil) que lá só 10% dos funcionários que poderiam fazer aborto fazem, a maioria  não faz por causa de motivos religiosos [1], não acho que no Brasil seria diferente.

Resumindo: a luta pela legalização do aborto é perda de energia, o aborto legal não garante aborto para mulheres pobres, é simplesmente uma questão de mera formalidade. É muito mais frutífero lutar para que haja educação sexual nas escolas (por exemplo, muitos sabem pouco sobre a pílula do dia seguinte), ou que mulheres pobres tenham assistência caso queiram ter filhos e não tenham condições, ou que para tenhamos uma licensa a maternidade e paternidade (porque cuidar dos catarrentos não é só obrigação da mãe) mais longas, ou para que empregadores tenham que fornecer uma creche para os funcionários que tivessem filhos.

 

Crítica vs. comentários negativos

Tem muita gente que chega e me diz: “Você não sabe ouvir críticas”, e eu acho que isso totalmente não é verdade, aqui vou explicar meus motivos.

Durante muito tempo eu deixei que as pessoas me limitassem sobre o que eu posso ou não conseguir, aonde eu posso ou não chegar. “Ah, ninguém como você, assim, uma menina, imatura, nascida no interior da Paraíba fez isso. Você não vai conseguir, você é muito imatura para isso. Eu estou lhe avisando para você não quebrar a cara.”, já ouvi isso diversas vezes durante toda a minha vida!

Isso para mim totalmente não é uma crítica que merece ser ouvida, isso deve entrar por um ouvido e sair em outro. E as vezes as pessoas que fazem isso, nem fazem isso por maldade, mas por de fato acreditarem que se você seguir em frente você vai quebrar a cara e as vezes também por estarem num mal dia (quem nunca teve um dia super pessimista nível vou desistir de tudo? Nada vale a pena!). E eu digo uma coisa, deixar de ouvir comentários limitadores só faz você crescer! E se você realmente for imaturo e realmente quebrar a cara (o que é beeem possível, você quebra a cara mil vezes antes de conseguir algo), vai doer, com certeza! O peso da frustração é muito grande, quando você quer muito aquele resultado e não consegue, é horrível! Mas no caminho mesmo que não conseguindo, você vai aprendendo, e se você nunca colocar a cara a tapa, você nunca vai aprender a lutar (e com o tempo a frustração passa a doer menos também!).

Se eu tivesse ouvido as críticas das pessoas que me colocam para baixo provavelmente não teria essa biografia “Conheceu o vice presidente dos Estados Unidos, falou na ONU, ganhou prêmios internacionais”, eu seria no máximo uma “graduanda no curso x” (e olhe lá).

No entanto há críticas que merecem ser ouvidas, e estas devem ser selecionadas com muito carinho num turbilhão de críticas q vc escuta no dia a dia (sim, haters gonna hate), essas são das pessoas que você considera com conselhos para melhorar algo que você está fazendo, e não para desistir porque aquilo é demais para você. Essas sim merecem ser consideradas. As outras tem que entrar num ouvido e sair noutro.

Setembro amarelo, mês de falar sobre o suicídio

Eu soube ontem que esse mês existe uma campanha, infelizmente ainda pouco conhecida, chamada “Setembro Amarelo”. Esta campanha é para falar sobre suicídio, já que falar sobre é a melhor maneira de prevenir. Eu pessoalmente achei a iniciativa muito legal e lamento só ter sabido dela agora, quase em outubro.

É triste que as pessoas ignoram que o suicídio é uma das maiores causas de morte na atualidade, é um problema de saúde público, por ano são registrados cerca de 800 mil suicídios no mundo, segundo uma reportagem que li na BBC, o suicídio mata mais jovens que a Aids!! (E estima-se que ainda hajam mais que isso que não são registrados). Geralmente o suicídio é decorrente de uma patologia que pouco é falada: a depressão (e de outros transtornos mentais, como a esquizofrenia ou transtorno bipolar, mas posso falar melhor da depressão).

É muito difícil dizer para uma pessoa que está pensando em suicídio para não seguir em frente e que a vida vale a pena com um post de blog, normalmente pessoas que estão pensando em suicídio se encontram tão deprimidas que mal acessam blogs, mas por favor, se você é familiar de alguém que está com depressão, faça-o procurar um médico e um psicólogo: a depressão é uma patologia como qualquer outra, um desequilíbrio químico no cérebro que pode trazer várias consequências para a saúde do indivíduo. Se você está lendo isso e se acha depressivo mas ainda não está na fase de ver o suicídio como a única saída, procure um psicólogo e fale sobre o assunto!

Se você conhece alguém com depressão, por favor não trate a pessoal mal, existe um sério preconceito contra pessoas que sofrem de transtornos mentais por parte da sociedade (comentários tipo: “Fulano é maluco, toma remédio controlado, não fala com ele” machucam muito pessoas que estão lutando contra a doença), o que torna a luta contra a doença ainda mais difícil, a pessoa não vê a possibilidade de se (re)integrar a sociedade e ter uma vida comum. Viver isolado e rejeitado é quase impossível, por isso a pessoa que se encontra nessa situaçao só vê uma saída: atentar contra a própria vida. Eu sei que é difícil conviver com alguém doente (não importa a doença, seja câncer, depressão, cirrose, aids, o que for), mas por favor faça esse esforço, um dia o doente, o “louco” pode ser você.