Dicas para conseguir um intercâmbio/viagem de graça #1

Uma das coisas que mais me pedem é para ensinar como eu consigui todas as minhas viagens (para quem não sabe, já consegui 4 viagens internacionais de graça e diversas nacionais), tem gente que diz que tenho sorte, eu acho que mais que sorte eu tenho estratégia. Nesse post vou falar de algumas e no da semana seguinte completarei (são muitas dicas). Ah sim, não se esquece de curtir a página do blog para ficar ligado em cada post novo 😀

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Dica 1 – Pesquise: 

Se você está lendo isso daqui, você tem acesso a internet e a um computador, então faça bom proveito deles! Tem muita gente que diz que basta pesquisar no Google “Intercâmbio gratuíto para o local x”, mas eu pessoalmente acho que nunca encontrei uma oportunidade assim (geralmente antes de aparecer algum programa de intercâmbio gratuíto, aparecem trocentos sites de agências de intercâmbio pagos que pagam para aparecer no topo do Google), em geral vejo oportunidades em sites e páginas relacionados a isso, tem alguns que eu gosto muito, como o Partiu Intercâmbio, o Estudar Fora e o InspiraSonho, na página do meu blog no facebook estou sempre postando oportunidades que conheço também, então curtam a página do blog. Outros canais que costumam postar oportunidades mas não são especificamente para brasileiros (alguns são mas outras não) são o Youth Opportunities, a  ONU, entre outros, nesses vocês vão ter um trabalhinho maior para filtrar (e sim, se você conhece algum outro site/página que poste oportunidades, comente aqui)

Outra fonte de pesquisa que eu uso muito são grupos no facebook, como o grupo da minha universidade, grupos de comunidade de Alumni que faço parte, etc. eu não tenho um grupo específico para indicar para vocês (porque muitos deles são fechados a pessoas que participaram de um certo programa, que são de uma certa universidade, etc.), mas eu acho que vocês devem conhecer algum grupo assim. Fiquem ligados neles!

Também fique ligado nas pessoas que você conhece, se você viu que um colega seu participou de um intercâmbio legal, não tenha vergonha de perguntar! Eu consegui ir para o caminhos do mercosul assim! Eu conhecia um rapaz que eu vi postando sobre essa viagem (ele tinha participado no ano anterior a mim), e eu pedi dicas e informações para ele. Ele até me mandou algumas dicas de como ele fez a redação dele no ano anterior, e eu acabei conseguindo graças a ajuda dele também!

Dica 2: Se adapte

Muita gente vai lá, acha as oportunidades de bolsas de estudo, prêmios, etc. mas tenta, tenta e nunca consegue ganhar, muita gente acaba se decepcionando e desistindo de competir nessas coisas. Um dos maiores problemas que vejo é que as pessoas são muito cabeça dura. Por exemplo, se você vai participar num concurso de redação, é importante ver como as redações ganhadoras foram, por mais que você tenha um estilo literário que você considera lindo, se você quer ganhar o concurso e não mostrar o seu estilo para o mundo, você tem que escrever como o concurso quer que você escreva, então leia as redações vencedoras dos anos anteriores e tente extrair a essência delas e fazer algo parecido.

Se você vai para um concurso que vai te julgar por sua personalidade, tente conversar com os vencedores dos anos anteriores e ver como eles são, não tente imitar a personalidade deles (isso nunca funciona) mas tente ver quais características eles tem em comum (por exemplo, fazer trabalho voluntário) e tentar fazer também! É mais difícil, mas não é impossível e provavelmente vai te fazer bem também, mesmo que seu objetivo primordial for passar numa seleção de algo, é possível que você também tenha muita felicidade tentando “imitar” pessoas que são incríveis! É claro que você nunca vai ser outras pessoas, mas você vai ser uma versão melhor de você mesmo! O mesmo vale para coisas que vão te selecionar de acordo com o seu desempenho acadêmico, se a pessoa que foi selecionada anteriormente sempre participou de projetos de pesquisa, então faça o mesmo, se envolva em pesquisa também! Se adapte, e se melhore, essa dica é primordial para qualquer coisa na vida.

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Essa é a parte 1 desse post, semana que vem volto com mais duas dicas!

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Vou para os EUA novamente: programa SUSI

Antes de ler o post, peço que responda esta pesquisa e que curta a página do blog no facebook, ajuda bastante!

Pois é! Vou visitar novamente a terrinha do Tio Sam! Dessa vez eu vou para Massachusetts e New York (pelo menos com o que sei até agora, acho que talvez vá visitar outros estados) com todos os custos pagos pelo Departamento de Estado Americano!

 

391528_474216152590071_2003655656_nEu vou pelo programa Study of the US Institutes for Student Leaders (ou SUSI, ou Student Leaders para os mais íntimos). Esse programa funciona basicamente assim: existem vários tópicos que você pode estudar (estão especificados os temas de estudo no link acima), e chegando nos USA, você vai fazer um curso de cerca de um mês em algumas universidades e institutos americanos. Eu ainda não tenho certeza em quais universidades serão as minhas aulas (eles estão mandando as informações aos poucos), mas pelo relato de pessoas que participaram em edições passadas, vou ter aulas em Amherst College, University of Massachusetts, MIT, Harvard e City University of New York. O tema que foi escolhido (não por mim, mas pela embaixada) para o meu Institute foi o penúltimo da lista no site que linkei acima, U.S. History and Government, confesso que não erao  que mais me interessava dos tópicos citados (me interessaria muito mais, mudança de clima, ou liderança feminina, etc), mas eu espero tirar muito proveito mesmo assim.

Os requisitos para participar no programa estão no site, mas dentre eles estão ter entre 18 e 25 anos, ser universitário e ter um bom desempenho acadêmico (a área de estudo pode ser qualquer uma, para vocês terem uma noção, nessa minha edição são 5 selecionados: eu de computação, um rapaz de engeharia, uma moça de ciências sociais, outra moça de medicina e um outro rapaz que estuda letras). O processo de seleção para o SUSI no Brasil é que é um mistério atualmente. Eu já sabia da existencia do programa desde o Ensino Médio, tinha um grupo no facebook para os candidatos ao programa “Jovens Embaixadores” e muita gente falava, “ah se não passar no JE, tenta o SUSI ano que vem”, até 2011, o SUSI tinha um processo seletivo bem claro e aberto e era bastante divulgado e tinham bastante vagas para o Brasil. Quando o Governo Federal resolveu lançar o Ciência sem Fronteiras, a Embaixada dos EUA resolveu diminuir o programa no Brasil (diminuir a divulgação e o número de vagas) porque muitos jovens universitários já teriam a oportunidade de estudar numa instituição americana.
Esse ano eu finalmente tinha me tornado universitária há mais de um semestre (requisito do SUSI) e ainda tinha um resquício na memória que o programa existia. Por volta de Abril desse ano, eu vi alguém comentando num grupo do Facebook que tinha ido para o SUSI ano passado, e eu comentei algo como “Nossa, nem sabia que o programa existia ainda” (tinha parado totalmente de ouvir falar dele), aí mandei um email para um contato na embaixada dos Estados Unidos que tinha e ela me fez um monte de perguntas (para saber se eu preenchia o perfil do programa) e disse “Muito bem, depois a gente fala com você”. Em agosto ou setembro desse ano chega um email da embaixada: você foi indicada para o SUSI, complete a sua inscrição. Eu completei e finalmente em outubro veio o resultado: eu tinha passado!

Eu soube tanto por um ex-professor meu que participou do SUSI quanto por colegas que também foram selecionados (somos uma equipe de 5) que pessoas de outras edições e funcionários da embaixada dos EUA podiam indicar candidatos para que eles completassem a seleção e que fossem selecionados por Washington(no total soube que tiveram 100 inscrições completas), talvez ano que vem, se for igual a esse ano eu possa indicar pessoas também (então meus amigos que querem participar do programa, falem comigo por volta de agosto de 2016). Mas sabe-se lá se vai mudar ou não com a decisão de congelar o CsF.

De toda forma, em janeiro embarco para essa aventura, vou  contar detalhes aqui no blog para vocês! 😀

 

 

Como eu ganhei um prêmio da Intel

As vezes, quando alguém novo me conhece e ler a minha bio, vê que tem lá um prêmio que me orgulho muito mas que não falo muito sobre ele, o “Intel Excellence in Computer Science”. Aqui vou explicar como eu ganhei esse prêmio e como você pode ganhar algo parecido também.

Tudo começou quando fiz intercâmbio nos Estados Unidos, eu falo muito desse intercâmbio no meu blog, tem uma categoria só para esta viagem. Lá nos EUA, eu participei de um programa do governo americano chamado “National Youth Science Camp”, em que participaram 100 estudantes americanos e uns 15 estrangeiros (de diversos países), nesse acampamento quase todo mundo desfilava com camisetas de programas antigos (nós seríamos premiados pela fashion week – not) e um programa que quase todo mundo tinha uma camisa e que eu nunca tinha ouvido falar era um tal de Intel ISEF.

Eu até perguntei para alguns americanos o que era esse Intel ISEF, e muitos responderam “International Science Engineer Fair” e que era a maior feira de ciências para alunos do ensino médio, só que isso não melhorava muito, queria saber como poderia participar. Chegando em casa, fui procurar sobre esse tal ISEF e vi que poderia  participar nele mesmo sendo brasileira! Para participar na ISEF como brasileiros, nós temos que ter até 21 anos, está no ensino médio e/ou técnico e escrever um projeto cientifico para a FEBRACE ou para a MOSTRATEC, eu já tinha começado uma pesquisa anteriormente sobre um sistema inteligente para prever o grau de emergência de um paciente, então eu aprimorei a minha pesquisa e me inscrevi para a FEBRACE que acontece na USP em março. Então daí foi só sucesso, eu ganhei o tal prêmio “Intel Excellence in Computer Science” que foram só 200 dolares, mais a emoção de ter um papelzinho com o nome “Intel”.

Mas então meus caros leitores, vocês podem estar se perguntando: e agora, eu não gosto de informática, ainda assim eu posso participar da ISEF/FEBRACE? E a resposta é sim, muita gente pensa que por a Intel ser uma empresa de informática, eles só premiam gente de informática, mas qualquer projeto de qualquer área do conhecimento pode ser premiado pela Intel, inclusive eu conheci no Science Camp que fui nos EUA uma participante que ganhou 100 mil dolares da Intel que a área de pesquisa dela é química, tem até artigo sobre ela em português. A Intel é uma empresa que investe muito em ciência e tecnologia desde a sua fundação (que nem faz tanto tempo assim), e é uma das empresas que mais premiam jovens cientistas, inclusive 6 ganhadores do prêmio Nobel foram premiados pela Intel quando estavam no seus ensinos médios, outras empresas como a Google e agora a Petrobrás também buscam premiar cientistas ainda no ensino médio, mas nenhuma tem programas tão amplos e tão bons quanto os da Intel (eu não to ganhando nada pra fazer essa propaganda toda :P, mas se a Intel quiser me pagar por isso, aceito).

É isso, resumindo, para ganhar um prêmio da intel sendo brasileiro, faça o seguinte: desenvolva um projeto, vá a FEBRACE e/ou a MOSTRATEC, vá a Intel ISEF e ganhe o prêmio 😀

Estou ficando importante!!

Para quem começou nessa história de blog sem nenhuma pretenção, eu já estou ficando importante 😀 Quinta feira passada saiu o meu primeiro post como blogueira convidada em um blog beeem maior que o meu! Trata-se do blog da TV escola, o pessoal do MEC me convidou para lá para escrever um pouquinho da minha experiência no Caminhos do Mercosul, programa com o qual eu fui para a Colômbia!

Screenshot from 2015-05-24 00:29:18

Devo dizer que fiquei muito honrada com o convite e também muito feliz. Escrever é algo que gosto muito de fazer e ter um espaço maior para mostar o que eu vivi para outros jovens me deixa encantada! Gostaria que todo mundo pudesse ter alguma das oportunidades que tive, e participar de um programa como o Caminhos do Mercosul é algo que desejo para todos.

Tudo isso (post, divulgação) é por causa da próxima edição do Caminhos do Mercosul, que dessa vez levará 6 jovens brasileiros (entre 14 e 17 anos) para a Amazônia! Alguns itens úteis relacionados com tudo isso:

Bem, é isso! Participem do Caminhos do Mercosul ou incentivem quem possa a participar 😀

Mulheres na computação, hackathon, rodada, technovation e etc. e como tudo isso me mudou

Ano passado depois de ter participado do Hackathon de Gênero e Cidadania da Câmara dos Deputados, conheci uma gama de mulheres super acolhederas e inspiradoras, posso citar várias, a Salete, a Daniela, a Haydee (somente online), a Camila Lainette, Camila Carneiro, a  Kamila Brito e a Camina Achutti (somente online, putz quantas C(k)amilas =P), a Jutta, a Ivy, a Wal, a Maíra, a Ana Paula, a Raquel. Foram tantas (Espero não ter esquecido ninguém!). Foi uma experiência mais que incrível, elas me abrilham os olhos para vários problemas que eu não sabia que existiam e me mostraram que a vida pode ser injusta com nós mulheres mas cabe a nós lutarmos para que isso seja melhorado. Foi uma experiência definitivamente inesquecível. (E não só pelas moças, alguns rapazes que conheci lá foram fantásticos também, pontos para o Rafa e para o Diniz que me abriu os olhos para a integração dos deficientes na informática).

Eu e algumas dessas mulheres incríveis que conheci no hackathon

Mas felizmente não acabou por aí, apesar da distância física de todas as amigas e inspiradoras que fiz no evento, continuei em contato com várias delas e isso me proporcionou coisas extraordinárias, a primeira delas foi o prêmio de mulher inspiradora de 2014 do blog Think Olga na categoria tecnologia (e confesso que fiquei bastante tímida com o prêmio, acho que falta muita coisa para eu ser de fato uma mulher inspiradora xD, mas agradeço muito a indicação). Outra coisa muito legal foi a aproximação do Poli Gen (Grupo de Estudo de Gênero da USP, eu já conhecia o grupo, inclusive já tinha uma reportagem sobre mim no site do Poli Gen, não liguem para minha cara de tímida, mas não tinha contato com eles) e isso me proporcionou fazer parte de um grupo muito legal chamado RodADA Hacker e de saber mais sobre uma competição chamada Technovation Challenge.

Eu com cara de tímida na página da PoliGEN

O Technovation Challenge foi o último e um dos mais empoderadores desafios que participei. O Technovation consiste em procurar um problema social e construir um aplicativo que possa resolvê-lo, ele é voltado para garotas do ensino fundamental e médio (e como já estou na universidade participei como mentora). Confesso que me inscrevi no Technovation sem esperar nada do mesmo, mas foi uma experiência incrível, a primeira coisa que eles me fizeram foi me linkar com um grupo de garotas do meu estado (a Paraíba, fomos a única equipe do estado) com três meninas super amáveis, a Vitória, a Samara e a Gabriela. Eu adorei tentar passar um pouco da minha experiência para elas, foi bastante divertido e desafiador. Nosso time não acabou indo para uma final, mas cada momento, cada email, cada mensagem valeu a pena 😀

Adorei trabalhar com vocês ❤

Eu sei que o meu caminho nessa área de garotas e computação é pequeno ainda, mas eu adorei o que eu já vivi até agora! Eu quero muito poder continuar trabalhando nessa área e conhecer ainda mais garotas inspiradoras e poder inspirar um pouquinho mais. Eu só tenho a  agradecer todxs que estiveram no meu caminho até aqui, isso me faz e me fez muito feliz!

Literatura costumbrista colombiana

Em 2013, fiz o seguinte texto que foi um dos ganhadores do concurso de redações “Camiños del mercosur”. Espero que apreciem:

CAMINHOS DO MERCOSUL 2013

A Rota do Café”

A literatura popular Colombiana:

O Costumbrismo

Ana Maria da Costa Ribeiro

Campina Grande – PB

Maio de 2013

    1. Introdução

A literatura chamada como popular colombiana na convocatória deste trabalho nada mais é que a literatura costumbrista da Colômbia. O costumbrismo, podendo ser melhor traduzido por costumismo, é uma corrente artística-literária típica de países de línguas espanholas, segundo Chang-Rodriguez e Filer o costumbrismo literário é

Tendencia o género literario que se caracteriza por el retrato e interpretación de las costumbres y tipos del País. La descripción que resulta es conocida como “cuadro de costumbres” si retrata una escena típica, o “artículo de costumbres” si describe con tono humorístico y satírico algún aspecto de la vida..” (CHANG-RODRIGUEZ e FILER1988, Voces de Hispanoamérica , p 535.)

Em outras palavras, podemos dizer que o costumbrismo se caracteriza principalmente por mostrar a realidade e costumes de seus países. Apesar de conversar com o realismo, o costumbrismo se diferencia deste por apresentar uma visão crítica da sociedade enquanto o primeiro limita-se a descrevê-la, tendo o autor como um elemento neutro.

Há autores que apresentam o costumbrismo como uma face do romantismo, “Esse gênero não existe descolado de outros movimentos literários, há uma vinculação entre romantismo e costumbrismo” (RIBEIRO, 2009, Costumbrismo, hispanismo e caráter nacional em Las mujeres españolas, portuguesas y americanas: imagens, textos e política nos anos 1870. , p. 49), no entanto a grande parte dos autores o considera como um gênero independente.

Apesar de ser um gênero literário normalmente associado a língua espanhola, as origens do costumbrismo são um tanto quanto duvidosas, há indícios de que na verdade ele nasceu na Inglaterra e na França, segundo KIRKPATRIK (1978, The Ideology of Costumbrismo, p.28) Calderón apresenta o costumbrismo como um gênero espanhol começado no século XVIII por Clavirjo e Farjado, no entanto, os próprios costumbristas espanhóis se apresentam como uma adaptação do modelo francês, tendo como principais preceptores Victor Joseph, Etiénne e de Addison e Steele da Inglaterra.

Entretanto, ainda segundo Kirkpatrik, o costumbrismo como gênero literário ganhou importância real na Espanha do século XIX pela necessidade de mostrar de alguma forma as mudanças sociais que estavam ocorrendo neste período. O país encontrava-se numa situação caótica: tinha passado pela crise da independência da maioria das suas colônias na América na primeira metade deste século. Além disto, foi um período marcado por conflitos internos e intervenção estrangeira. Neste contexto, os artistas tentavam retratar e analisar criticamente a sociedade através da margem para fazer observações mais desapaixonadas e críticas, por isso a maioria dos autores costumbristas usavam pseudônimos.

Na América espanhola, o costumbrismo começou a se espalhar como um gênero popular, o principal expoente latino-americano do costumbrismo é o Peru, porém a Colômbia também tem uma forte literatura deste gênero, que tem como um dos temas, a rota do Café. Este trabalho analisará o costumbrismo colombiano no contexto da rota do café.

    1. O Costumbrismo na Colômbia

O costumbrismo foi o início da busca de uma literatura própria a da Colômbia, pois perceberam que a literatura poderia ser construída a partir da observação dos costumes nacionais, sem precisar adotar padrões, cenários e personagens europeus para escrever. Neste país, o movimento aparece entre os anos de 1830-1880, os costumbristas colombianos se dedicaram a mostrar uma sociedade de um país que acabara de nascer.

Os principais temas abordados pelos costumbristas colombianos em suas obras eram a vida rural e campestre, onde se fala da vida, das crenças e das formas de expressão dos povos que viviam em áreas ; o encontro entre o campo e a cidade e o campo e a rejeição de uma nova visão de mundo; e a criação de personagens que representassem as pessoas da sociedade, para não correr o risco de citar nomes, como sacerdotes, fazendeiros, policiais, entre outros.

A literatura era escrita por grandes proprietários de terras cultos, que não se diziam escritores, mas nos seus momentos de ócio acabavam por escrever textos que retratavam a sua realidade – Os trabalhadores rurais e o encontro da cidade e do campo. Por isso, a rota do café é um tema frequente nestas obras, já que a agricultura colombiana é grande parte composta pelo cultivo do café.

As principais características da literatura costumbrista colombiana são as seguintes:

  • Predomínio da descrição no lugar dos diálogos;

  • Propósito didático, moral ou político;

  • Prosa regional e local;

  • Procura defender a tradição local no lugar de influências estrangeiras;

  • Gírias locais na sua linguagem;

A novela foi o maior dos gêneros literários do movimento costumbrista, com grande número de adeptos na Colômbia, dentre eles podemos destacar José Miguel Marroquín Riquarte, José Eustáquio Paláquio e José Eugênio Diaz Castro, do qual falaremos da sua novela Manuela.

      1. Análise da Novela Manuela

Na Colômbia,uma das principal novela que tem como palco as comunidades rurais, como a da rota do café, é “Manuela” de José Eugênio Díaz Castro (1858), que foi um homem de campo e de educação própria.

A novela começa falando sobre um rapaz altamente educado (Demóstenes Bermúdez), que já tinha ido para França e para os Estados Unidos, o que é um símbolo de status na sociedade colombiana da época, este rapaz era noivo e tinha rompido o seu relacionamento.

Para relaxar, vai até um povoado campestre situado a um dia de distancia de Bogotá. Esta região é conhecida pelo cultivo do café e da cana-de-açúcar. O povoado da novela é um que não existe na realidade, e é chamado “Las Parroquias”, ele tem como característica ter um povo simpático e acolhedor.

Neste povoado, Demóstenes se abriga na casa de pensão da jovem Manuela, uma moça de 17 anos que foi prometida em um casamento arranjado com Dámasco, um jovem que trabalha em Ambalema, uma cidade distante. Lá, eles tem extensos diálogos, onde é possível que o leitor conheça os principais pontos de uma comunidade campestre colombiana. Apesar de ambos estarem comprometidos, a relação entre Manuela e Demóstenes não deixa de ser um tanto romântica, em algumas passagens como a seguinte, em que a Manuela ensina Demóstenes a dançar, podemos ver o clima que existia entre os dois:

Manuela ejecutó la primera lección, y su maestro se quedó admirado de sus buenas disposiciones. Ella había bailado valse dos o tres veces.

-Ahora te dejas rodear la cintura con uno de mis brazos y me entregas una mano a todo mi albedrío,

Don Demóstenes rompió el baile por la orilla de la sala, pero la discípula se resistía.”(DIAZ CASTRO, Manuela pag:81)

Um dos personagens de que eles falam, é Tadeu Forero, um draconiano -Político liberal não extremista – que deixa o vilarejo apreensivo por causa da sua influência. Ele é um tinterillo (alguém que começou a se formar em direito mas nunca concluiu e por isso faz trabalhos burocráticos a baixos custos) e faz diversos trabalhos ilegais e que enganam a população, secretamente, ele estaria manipulando o resultado de eleições que estariam para acontecer em breve. Além disso, Tadeu Forero é um homem que abusa de jovens, anteriormente, a maior vítima dos seus abusos tinha sido uma jovem chamada Cecília, no entanto ele passa a perseguir Manuela. As intrigas, a perseguição e tudo isso fazem com que Manuela fique no eixo da novela e que toda história fique ao redor dela.

O livro tem um final trágico: Demóstenes volta a cidade para se reconciliar com sua noiva; Manuela resolve se casar com Dámasco, no entanto, Tadeu coloca fogo na igreja para impedir o casamento de ambos. A jovem morre e a população é invadida pelo governo que tenta combater a “Revolución”.

Neste livro podemos ver quase todas as características do costumbrismo. O autor cria personagens fictícios para representar figuras da sociedade comum da época: Temos a figura dos camponeses, dos fazendeiros, do rapaz rico da cidade, do homem de negócios que esplora as pessoas, os militares do governo.

Temos o campo e as relações das pessoas deste como palco principal do livro, que constroem o seus “Cuadros Costumbres”, no entanto, apesar de a literatura costumbristas normalmente ser associada a falta de diálogos e ter grandes descrições, no entanto Manuela tem muitos diálogos e grande parte das descrições são em forma de diálogo.

    1. Conclusão

Há os que dizem que café é a bebida dos intelectuais, e talvez seja mesmo: Ele da energia , vontade e inspiração para fazer árduos trabalhos, desde produções cientificas à literárias. Esta energia trazida pelo café também é a energia do desenvolvimento econômico e social que vinheram para as províncias de Quíndio, Caldas e Risaldas, é a energia que faz belas paisagens e que também dá fama a Colômbia; mas não é só isso: As plantações deste belo grão também são inspiração para uma das literaturas mais facinantes que existe: O Costumbrismo Colombiano.

Estas plantações, cercadas de povoados cheios de gente amável, foram genialmente retratadas nas novelas e contos, através do “cuadro de costumbres” vemos nas palavras dos gênios da literatura o quão bela e emocionante as paisagens da Colômbia são. Já através dos “artículos costumbres”, era possível ler a crítica desses autores da sociedade em que habitavam.

Através destes relatos, a Colômbia foi montando a sua literatura: Sem temas Europeus ou de outras regiões do mundo. Podemos concluir que a observação do seu próprio país e cultura já é suficiente para a construção de uma literatura nacional fantástica.

REFERÊNCIAS:

Chang-Rodríguez, Raquel y Filer, Malva E.: Voces de Hispanoamérica. Antología literaria. Heinle & Heinle Publishers, Inc. Boston, Massachusetts, l988.

RIBEIRO, Edméia Aparecida. Costumbrismo, hispanismo e caráter nacional em Las mujeres españolas, portuguesas y americanas: imagens, textos e política nos anos 1870. Assis, 2009, 266 p. Tese (Doutorado em História) – Universidade Estadual Paulista.

KIKPATRICK, Susan. The Ideology of Costumbrismo. University of California, 1978.

Díaz Castro, José Eugenio. “Manuela” (1858). Edição online, disponível em <http://www.biblioteca.org.ar/libros/10024.pdf>, acesso em 25 de Maio de 2013.

Caminhos do Mercosul

Irei começar a falar neste post sobre uma outra viagem que fiz (já que encerrei os posts do NYSC e não me senti inspirada a fazer um post de conclusão, deixo este para depois).  Para começar, irei falar do programa que participei com um FAC feito a partir de perguntas dos meus amigos.

https://i2.wp.com/portal.mec.gov.br/images/stories/noticias/2013/cartaz_conc_mercosul.jpg

 

O que é o Caminhos do Mercosul?

É um concurso histórico-literário promovido pelo Mercosul Educacional em parceria com os ministérios da Educação dos países participantes  cujo prêmio é uma viagem com tudo pago para 6 estudantes com destino a algum país do Mercosul.

Quem pode participar?

Estudantes de escolas públicas que tenham 16 ou 17 anos na data da viagem.

Você pode escolher o país?

Sim e não. Cada ano é eleito um país diferente para ser sede do concurso na cúpula do Mercosul, por exemplo, em 2011 foi o Paraguay, em 2012 foi o Uruguay, em 2013 foi a Colômbia (o qual participei) e em 2014 será a Bolivia. O único jeito de escolher, é se você tiver 16 anos, esperar para se candidatar apenas no ano seguinte, mas é uma medida arriscada.

O que fazer para participar?

Para participar deve-se escrever um trabalho (pode ser um artigo científico ou literário) de cerca de 10 páginas sobre um dos temas propostos, todos os anos o país sede do concurso dá 5 ou 6 temas diferentes para que o trabalho seja escrito, o trabalho pode ser feito em qualquer uma das línguas oficiais do Mercosul (português, espanhol ou guarani), no meu caso, escrevi sobre literatura Costumbrista colombiana. Todos os anos, o MEC lança um edital para entrega dos trabalhos entre Abril e Maio, então fiquem atentos 😉

Bem, as principais dúvidas que me foram apresentadas foram estas. Se quiserem mais esclarecimentos sobre o programa, podem perguntar. Sobre como foi a viagem, bem, isto contarei nos próximos posts =D