Como me tornei poliglota

Nesse vídeo falo um pouco da minha história com idiomas, e falo como o fato de não gostar de inglês me tornou poliglota! Espero que gostem 😀

PS: Se inscrevam no meu canal do You Tube também!

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15 de Dezembro: Dia de Zamenhof

Hoje eu iria publicar sobre outro tema, mas aí fui lembrada no facebook por uma campanha que hoje é o dia de Zamenhof, criador do Esperanto! Se você sabe patavinhas sobre o esperanto, acha que é, sei lá, pra comer ou algo do tipo, recomendo que leia o meu FAQ sobre idiomas, especialmente a pergunta “Pergunta 2: Esperanto, que danado é isso?”.

A campanha foi lançada por um youtuber esperantista australiano (sim, existem youtbers esperantistas! Assim como livros em esperanto, revistas, rádios, etc) era sobre gravar um vídeo para o YouTube, sobre o esperanto em sua língua nativa, dizendo como o aprendeu, como ele foi útil na vida. Eu resolvi entrar na campanha hoje as 6:30 da manhã (nesse horário, já haviam mais de 50 vídeos com a hashtag #esperantoLives). Enfim, quem tiver curiosidade de saber como foi a minha história com o esperanto, dê o play:

Minhas impressões sobre o Terceiro Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local

Como falei dois posts atrás, eu fui para a Itália com um objetivo específico, a convite da ONU através da TEJO eu fui participar do 3º Fórum de Desenvolvimento Econômico Local e aqui vou contar as minhas impressões sobre o evento.

O evento era super luxuoso, ele aconteceu no Palácio Real de Turim, no centro da cidade, ao lado de lojas chiquérrimas como Armani e Prada. O secretário geral da ONU, Ban Ki Moon, esteve presente no final do evento para discursar na plenária principal, fora ele haviam muitas pessoas importantes do mundo todo.

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Discurso do secretário geral da ONU no encerramento do evento

Tinham sido montada no jardim do palácio real uma tenda enorme que era a plenária principal onde todas essas pessoas importantes falavam, e outra tenda no pátio do palácio que eram subdivididas em várias mini tendas onde pessoas menos importantes (como eu) tinham a oportunidade de discursar, foi numa dessas mini tendas que discursei a primeira vez num evento oficial da ONU, junto com mais duas pessoas, uma do Egito e outra da Macedônia. Eu fui a única que discursei em inglês, a moça do Egito preferiu discursar em Árabe e o homem da Macedônia preferiu discursar em francês: eu não pude discursar em português porque a minha língua não é uma língua oficial da ONU.

A mesa redonda que participei.

A mesa redonda que participei.

Eu estava lá em nome da TEJO e para representar ideias da organização (que claro, concordo), o tema da nossa mesa redonda era empregabilidade de jovens. A moça apresentou os desafios encontrados por jovens egípcios depois da primavera árabe em encontrar emprego e do trabalho da Organização Mundial do Trabalho para ajudá-los. Eu falei um pouco dos problemas linguísticos encontrados por pessoas que querem encontrar trabalho: muitas vezes o fato de falar ou não uma língua (e não só o inglês, mas como também o alemão, francês, etc) é algo excludente no processo de seleção de muitos empregos, enquanto ter um time internacional e diverso é bom para o ambiente de uma empresa. O cara da macedônia apresentou um projeto que estava sendo desenvolvido lá estilo PRONATEC. No meu painel não havia tradução para todas as línguas da ONU, faltavam traduções para o chinês e o russo, em algumas outras salas faltavam traduções para o espanhol além dessas, só haviam as 6 línguas oficiais na plenária principal.

Eu fiquei um pouco chateada com o evento quando soube que não poderia discutir em português mesmo o Brasil tendo uma boa delegação lá e o SEBRAE sendo um dos principais patrocinadores do fórum: mesmo sendo feito com dinheiro brasileiro, o português não era passível de ser falado lá. Como sabia que ia ter que falar inglês, francês ou espanhol com as pessoas lá dentro e que ter que discursar em inglês (porque o inglês dentre estas línguas é a que domino melhor) resolvi falar inglês desde a entrada quando me barraram: eu expliquei para o segurança que queria pegar meu crachá em inglês, mas de todos os que estavam ali só um falava inglês e não tão bem, ele achou que queria comprar o ticket para visitar o museu do palácio real, eu tive que explicar melhor em “portitaliano” (eles entendem se a gente falar português devagar e com algumas palavras chave em italiano) o que eu queria.

O evento era fechado para o público local eu acho que um fórum de desenvolvimento econômico local também deveria beneficiar o vendedor de lembrancinhas que tinha um quiosque na praça em frente ao palácio e não só aqueles detentores de convites da ONU. Felizmente o pessoal do evento também achava isso, por isso colocaram um telão do lado de fora do palácio que transmitia para a praça o que estava sendo discutido lá dentro. O evento tinha sido bem divulgado pela cidade, haviam cartazes, banner e painés (todos em inglês) do aeroporto aos pontos de ônibus de Turim, mas não havia quase ninguém assistindo o que estava sendo discutido dentro do palácio da praça.

Telão do lado de fora do palácio

Telão do lado de fora do palácio

A língua era um dos principais motivos, as palestras da plenária principal eram quase todas em inglês e elas estavam sendo transmitidas em inglês sem tradução simultânea ou legendas para o italiano: o inglês em Turim é falado no mesmo nível que no Brasil, muitas pessoas não passam do “what is your name?” aprendido na escola, as que “falam” não falam no nível de discutir economia e política, assim como no Brasil, são poucas as pessoas que compreendem e que interagem numa palestra em inglês sem tradução. A língua era um dos principais motivos que dividiam os que tinham acesso no que estava sendo discutido no palácio para as pessoas da rua, para ouvir e ser ouvido ali precisava-se falar uma língua da ONU, e o italiano não é uma delas.

FAQ idiomas

Introdução: Quase sempre que admito alguém novo ao meu círculo de amigos (aka adiciono no Facebook) é quase regra que as pessoas venham me perguntar quantas línguas eu falo, como eu aprendi essas línguas, etc. Por isso resolvi fazer este post com as perguntas mais frequentes que me fazem sobre idiomas.

Pergunta 1: Quantas línguas você fala?

Resposta: Eu falo várias línguas em diferentes níveis, como nativa eu falo português (sim, isso significa que na minha casa eu uso o português, já me vieram perguntar algumas vezes também que língua eu uso em casa, aí está a resposta), em nível avançado falo inglês e esperanto, em nível básico a intermediário falo francês e espanhol e em nível ultra mega básico falo alemão (ainda quero aprender mais alemão). É um número considerável de línguas, mas acredite no universo do poliglotismo (há grupos sobre isso no facebook e tals) não é nada!

Pergunta 2: Esperanto, que danado é isso?

Resposta: Pelo contexto já deve dá para saber que é um idioma, sim esperanto é um idioma criado por um judeu polonês em 1887, para saber mais sobre a língua recomendo a leitura do livreto “Descubra o esperanto” esperanto.org.br/info/dok/diversaj/malkovru_esperanton_pt.pdf, e também recomendo assistir o mini documentário “Esperanto é” (Esperanto estas):

 Pergunta 3: Tá, mas o que o esperanto já te trouxe? Vale a pena aprender?

Resposta: Algumas das pessoas mais legais que já conheci até hoje, conheci através do esperanto. Graças ao esperanto tenho amigos em todo o mundo, desde a China até a Alemanha passando pelo México =P É sério, toda a convivência que isso traz é muito legal! Eu já ganhei alguns presentinhos (chaveiros, cartões postais, livrinhos, etc) graças ao esperanto, fora isto não muito mais em bens materiais mas o que o esperanto me trouxe culturalmente é inestimável. Além disso, o esperanto me ajudou a aprender outros idiomas como o tão temido (por alguns) inglês. Algumas pessoas são bem pragmáticas e quando me perguntam este “vale a pena” querem logo saber da relação “hora gasta x aumento no salário”, bem, nunca vi nenhuma vaga de emprego em uma grande empresa multinacional requisitar esperanto, ou você receber alguma promoção por causa dos seus conhecimentos nessa língua, então a resposta imediata seria não, algumas pessoas conseguem até ganhar algum dinheiro com a língua (li que o fundador da Wikipédia em esperanto trabalha ganhando dinheiro com esperanto até hoje em algum lugar da internet, mas não posso confirmar), mas é uma pequena minoria, e eu não vou te iludir: provavelmente você vai gastar dinheiro no lugar de ganhar: comprando livros e panfletos para divulgar para os colegas, gastando para ir a eventos, etc. mas eu diria que se o seu foco na vida não for ganhar promoções, vale muito a pena sim. Dá para ganhar viagens com o esperanto, eu já fui pro Rio e para Fortaleza com parte das minhas despesas cobertas graças a língua, e alguns dos meus colegas já foram para a Europa e para a China com a língua quase de graça!

Pergunta 4: Tá, mas como/por que/onde/quando você aprendeu as línguas que você fala?

Resposta: Bem, cada língua eu aprendi por um motivo diferente, num lugar diferente, de uma maneira diferente. Ia responder neste post, mas ia ficar muito longo, caso vocês queiram, posso escrever outros posts com a minha história com idiomas (tá, meus leitores não existentes não opinam no meu blog, vou fazer isso caso eu queira em algum tempo =P)

Pergunta 5: Você quer aprender mais línguas?

Resposta: Claro, quero aperfeiçoar meu alemão e um pouquinho do francês e depois me aventurar fora do tronco indo-europeu, estava pensando em japonês ou chinês, mas duvido que tenha tempo em breve (a vida adulta está sendo mais difícil do que eu esperava, se vocês são crianças/adolescentes aproveitem para aprender tudo de inútil que podem agora!!)