Windows 10: melhor ferramenta de espionagem já criada?

Já faz um bom tempo que sou adepta do software livre e que o sistema operacional que uso é o Linux (várias distribuições, do RedHat ao Ubuntu dependendo da necessidade) em casa e na universidade. Mas como eu  não vivo no mundo da lua, soube do lançamento do Windows 10 e o usei para ver como era o negócio e não ficar por fora quando estivessem falando dele (detesto ficar por fora quando as pessoas falam de tecnologia e Windows é uma das poucas coisas que o “povão” conhece). Pois bem, o testei e achei que o Windows 10 estava muito melhor em comparação a sua versão anterior (8 e 8.1) mas não fazia cosquinha no quão bom é usar o Linux. O PowerShell do Windows está bom, vários comandos foram adicionados, está melhor de usar o Windows também por linha de comando, eu gostei do Windows 10. Eu então publiquei o que tinha achado do sistema no meu Facebook e um amigo veio logo dizendo que era a melhor ferramenta de espionagem já feita, eu argumentei que não deveria ser melhor que o Google, Dropbox, Facebook, etc. E ele me postou essa reportagem de um site que nunca ouvi falar que achei conspiratória demais, essa daqui: http://suporteninja.com/microsoft-analise-de-trafego-do-windows-10-para-quais-servidores-ele-envia-suas-informacoes. Resolvi refazer os experimentos feitos por ela e dizer meu parecer sobre ser a melhor ferramenta de espionagem já feita.

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O tal post

A parte do post original que ele fala da Cortana eu não vou poder fazer porque estou usando a versão em português do sistema, e o Windows disse que não há versão dela em português. Ainda há a opção de gerenciar o que a Cortana sabe sobre mim na nuvem, que me pareceu com aquela parte de configurações do que o Google tem sobre o que ele sabe de você, como os seus interesses e seu histórico de buscas, caso queira ver a do google, eis o link, e o da microsoft, eis o link também. A Cortana pelo visto não passa muito mais que o controle por voz que temos nos dispositivos mobile (para Android, o sem nome “Ok Google” e IOs, o Siri) e na web com o Google, eu não sei dizer se ambos fazem o que dizem na reportagem “enviam reports das suas vozes para as empresas”, porque como disse não tenho o Cortana disponível e no tráfico de rede não apareceu nada.

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Ah sim, só a nível de curiosidade eu não quis usar ferramentas do Windows para monitorar a rede, porque se um SO é tão malvadão assim, óbvio que ele pode monitorar tanto o monitor nativo do sistemas quanto softwares instalados nele. No experimento anterior, ele usa o WireShark, eu usei o iptraf do Linux conectado na mesma rede do meu computador com Windows 10 instalado. O IP na rede interna da minha casa do meu notebook com Windows 10 é 192.168.0.108 e para testar se estava tudo ok, fiz uma chamada no meu computador windows para o Google que foi registrada no tráfego. As outras chamadas com os outros IP’s são meu computador e minhas irmãs usando a Net =P

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Chamada do 192.168.0.108 para o Google, tudo funcionando, vamos esperar um pouco.

Eu não fiz nenhuma configuração especial no computador, deixei ele como ele veio ao mundo. A primeira coisa que o site afirma é que ele envia pacotes para um servidor da microsoft contendo tudo que você escreveu de 5 em 5 minutos. Eu deixei meu computador ligado na internet, e não tinha absolutamente nenhuma interação entre o sistema operacional e a internet, se a Microsoft não encontrou um jeito muito maligno de mascarar as conexões deles ou criou um tipo de rede alternativa que eu não tenho o prazer de conhecer, eu posso afirmar que ela não enviou nada para o servidor dela nesse tempo, os processos que estavam rodando eram somente os que ele inicia quando liga o sistema. O meu computador só falou com a conexão normal com o roteador daqui de casa, que tanto os celulares das minhas irmãs (com android) e meu computador com linux também fizeram.

O único jeito de fazer o Windows se comunicar com os servidores deles fora do browser é na caixinha de pesquisa onde tem escrito “Pesquisar na Web e no Windows”. Eu concluo que o Windows não é pior que nenhum sistema operacional nesse quesito. Só lembrando, apesar de já trabalhar com redes há um tempo, eu não sou nenhuma especialista no assunto. Eu posso ter errado ou me equivocado em algum ponto durante o experimento, e a minha rede de Wifi estava sendo usada por outras pessoas durante o experimento. Eu posso repeti-lo depois numa máquina virtual e monitorar o tráfego da VM caso vocês queiram (o Windows 10 estava instalado numa máquina a parte da minha mãe), ou vocês mesmos podem tentar repetir o experimento em casa. Caso façam isso, comentem aqui em baixo com o link para os seus resultados.  Caso notem algo de estranho com o meu método comentem também, ficarei feliz de repetir o experimento caso note que me equivoquei.

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Opinião: Cientista aparece na grande mídia por publicação na Science e falta de investimentos

Esses dias eu vi muitos compartilhamentos na minha timeline do caso de uma cientista brasileira chamada Suzana Herculano-Hozel que apareceu em muitas revistas do grupo editorial Abril e da Globo, como esta daqui ou esta outra falando de como a ciência no Brasil está abandonada e de como o governo não investe em ciência, apesar da notícia ser um pouco velha, ainda vejo amigos a republicando. Neste post vou dar a minha opinião sobre o assunto.

A tal Doutora Suzana Herculano-Hozel

Em primeiro ponto, gostaria de dizer que concordo em 100% do que a doutora Suzana disse nas entrevistas dela, a ciência é sim abandonada no Brasil e recebe muito pouco investimento comparado com outros países. Vejo também pesquisadores talentosos saindo do país todos os dias para trabalhar muitas vezes fora do ramo científico, e esses dias fiquei chocada quando descobri que só a Universidade de Harvard, nos EUA, recebe mais investimento que TODA a educação brasileira (isso mesmo, TODA A EDUCAÇÃO, desde a creche do seu bebê até o seu pós doutorado, li isso aqui). Quando fui para os EUA percebi claramente essa diferença, enquanto no Brasil nunca tinha recebido incentivo quase nenhum para participar em pesquisas até então no meu ensino médio, alguns amigos americanos já tinham feito estágios de verão em laboratórios de universidades americanas durante as férias escolares e ganhando bem.

O que achei bem estranho nesse caso em específico, é essa super exposição midíatica de uma cientista em revistas que nunca deram a mínima para ciência (no máximo em traduzir algumas notícias gringas de fatos pseudo-científicos “comprovados”), o destaque enorme em frases como “Fazemos ciência no Brasil de forma miserável” no lugar de frases como “Se os valores dos últimos 11 anos são irrisórios, antes eles eram realmente miseráveis.” mostram que a única intenção da mídia ao divulgar este caso em letras garrafais é gerar revolta contra o governo e não abrir os olhos da população para algo que nunca foi valorizado na nossa cultura e que precisa urgentemente de investimentos. Provavelmente a Doutora Herculano-Hozel nem é anti-governista, mas do jeito que a entrevista dela é conduzida, faz parecer com que ela odeia o país e o governo. Na situação política delicada em que nos encontramos, tudo isso é muito estranho. Sem contar que parece que é só culpa do governo atual, como se as empresas também não tivessem obrigação de investir em ciência (me fala aí uma empresa brasileira que investe em ciência sem ser obrigada, quando uma dessas construtoras que ganharam bilhões com a copa vão investir em inovação? Eles só pegam tecnologia gringa), como se os outros governos tivessem investido.

O que me faz mais triste ainda é pensar que graças a mídia brasileira, nós nunca ganhamos um prêmio Nobel. Estou falando do caso do médico Carlos Chagas, que durante dois anos foi indicado ao prêmio Nobel de Medicina, e um “inimigo” de Chagas com ajuda da mídia brasileira fez pressão na comissão internacional do Nobel para não premiá-lo. Na segunda vez que Chagas foi indicado, ninguém no mundo ganhou o prêmio Nobel de Medicina porque ele era o único que realmente merecia o prêmio naquele ano.

É realmente irônico que uma mídia que ajudou o Brasil a nunca ganhar um Nobel venha falar de investimento em ciência com letras garrafais, eu tenho nojo da hipocrisía da grande mídia brasileira. Espero que algumas pessoas sejam afetadas de forma a perceber de como é importante investir em ciência (que imagino que seria o que a cientista queria passar) e não passem a odiar o governo ainda mais.

Como eu ganhei um prêmio da Intel

As vezes, quando alguém novo me conhece e ler a minha bio, vê que tem lá um prêmio que me orgulho muito mas que não falo muito sobre ele, o “Intel Excellence in Computer Science”. Aqui vou explicar como eu ganhei esse prêmio e como você pode ganhar algo parecido também.

Tudo começou quando fiz intercâmbio nos Estados Unidos, eu falo muito desse intercâmbio no meu blog, tem uma categoria só para esta viagem. Lá nos EUA, eu participei de um programa do governo americano chamado “National Youth Science Camp”, em que participaram 100 estudantes americanos e uns 15 estrangeiros (de diversos países), nesse acampamento quase todo mundo desfilava com camisetas de programas antigos (nós seríamos premiados pela fashion week – not) e um programa que quase todo mundo tinha uma camisa e que eu nunca tinha ouvido falar era um tal de Intel ISEF.

Eu até perguntei para alguns americanos o que era esse Intel ISEF, e muitos responderam “International Science Engineer Fair” e que era a maior feira de ciências para alunos do ensino médio, só que isso não melhorava muito, queria saber como poderia participar. Chegando em casa, fui procurar sobre esse tal ISEF e vi que poderia  participar nele mesmo sendo brasileira! Para participar na ISEF como brasileiros, nós temos que ter até 21 anos, está no ensino médio e/ou técnico e escrever um projeto cientifico para a FEBRACE ou para a MOSTRATEC, eu já tinha começado uma pesquisa anteriormente sobre um sistema inteligente para prever o grau de emergência de um paciente, então eu aprimorei a minha pesquisa e me inscrevi para a FEBRACE que acontece na USP em março. Então daí foi só sucesso, eu ganhei o tal prêmio “Intel Excellence in Computer Science” que foram só 200 dolares, mais a emoção de ter um papelzinho com o nome “Intel”.

Mas então meus caros leitores, vocês podem estar se perguntando: e agora, eu não gosto de informática, ainda assim eu posso participar da ISEF/FEBRACE? E a resposta é sim, muita gente pensa que por a Intel ser uma empresa de informática, eles só premiam gente de informática, mas qualquer projeto de qualquer área do conhecimento pode ser premiado pela Intel, inclusive eu conheci no Science Camp que fui nos EUA uma participante que ganhou 100 mil dolares da Intel que a área de pesquisa dela é química, tem até artigo sobre ela em português. A Intel é uma empresa que investe muito em ciência e tecnologia desde a sua fundação (que nem faz tanto tempo assim), e é uma das empresas que mais premiam jovens cientistas, inclusive 6 ganhadores do prêmio Nobel foram premiados pela Intel quando estavam no seus ensinos médios, outras empresas como a Google e agora a Petrobrás também buscam premiar cientistas ainda no ensino médio, mas nenhuma tem programas tão amplos e tão bons quanto os da Intel (eu não to ganhando nada pra fazer essa propaganda toda :P, mas se a Intel quiser me pagar por isso, aceito).

É isso, resumindo, para ganhar um prêmio da intel sendo brasileiro, faça o seguinte: desenvolva um projeto, vá a FEBRACE e/ou a MOSTRATEC, vá a Intel ISEF e ganhe o prêmio 😀

Empoderamento de mulheres na TI: é necessário?

O Gap na questão de gênero quando se trata da área de Tecnologia da Informação (TI) e demais STEM (Science, Technology, Engineer and Mathematics ou Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) é indiscutível: mulheres são definitivamente a grande minoria nessas áreas, é só procurar qualquer estatística ou colocar a cabeça em qualquer sala ou laboratório de cursos desta área. O ponto de discussão neste texto não é este, mas sim o crescente número de programas organizados por ONG’s, governos e empresas para empoderar mulheres na STEM e na TI, posso citar alguns caso vocês não conheçam nenhum: Women who code, Women Techmakers, Digi Girlz, Technovation Challenge, Grace Hopper Celebration etc.

Imagem ilustrando vários programas para garotas e computação.

Muitas pessoas criticam muitos desses programas por não serem algo definitivo: afinal com uma semana em alguma reunião escutando mulheres engenheiras, as garotas não vão deixar de ter dificuldade no mercado de trabalho, além disso muitos também argumentam que o importante é conscientizar os homens para aceitar e ajudar as mulheres e não empoderar as mulheres (daí vem programas como o da ONU he for she, etc). Outro ponto que alguns colocam é que na verdade as mulheres não sofrem preconceito, afinal por aqui, elas não levam um tiro na cara ao tentar ir para a escola como acontece no Oriente Médio. Ainda há alguns que falam que estas iniciativas querem dar oportunidades para mulheres que homens não tem, afinal passar uma semana ou ter algumas reuniões em um abiente empoderador não é algo que os homens tenham (haha, como se homens não fossem empoderados todos os dias).  Bem, a maioria desses argumentos são bem fora da realidade, vou falar com a minha visão de mulher na computação que já foi empoderada por alguns desses programas. De fato, acredito que nunca ninguém me impediu de estudar, ninguém nunca colocou uma arma na minha cabeça dizendo que se eu fosse para escola teria os meus miolos estourados. Nós mulheres lidamos com o machismo todos os dias, com comentários idiotas advindos de pessoas idiotas, desde as objetificações dos nossos corpos até comentários estilo “Você não deveria ter saído da cozinha”, mas isso não é “luxo” só da mulher nas Hard Sciences, todas as mulheres lidam com isso, não importa se ela estuda filosofia ou computação (este blog mesmo fala das besteiras que as mulheres na filosofia escutam https://beingawomaninphilosophy.wordpress.com/), a Academia é machista, a vida é machista. E não é só mulheres que sofrem preconceito, pessoas negras sofrem, pessoas pobres sofrem. Então por que é importante empoderar especificamente mulheres na TI e nas STEM’s? Eu queria contar um pouco da minha história para mostrar como isso mudou a minha vida.

Não preciso ser a Malala para sofrer de machismo na Academia!!

Quando eu tinha uns 11/12 anos, consegui uma das melhores colocações na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (a OBMEP), em consequência fui convidada para participar de um programa chamado PIC (Programa de Iniciação Científica), na época foi tudo uma surpresa pra mim, não achava que conseguiria ganhar um negócio desses, mas eu fiquei muito feliz e lá fui eu, com um caderninho debaixo do braço (depois de muita insistência da minha mãe, pois me auto-sabotava porque não era confiante o suficiente) caminhando para a Universidade para a minha primeira aula do PIC, ao chegar lá, senti pela primeira vez o impacto de ser uma garota na STEM: No programa tinham cerca de 20 pessoas e só eu era menina! Eu confesso que fiquei muito assustada, eu só era uma criança muito tímida que mal tinha coragem de falar com meninos, e ainda mais interagir com uma classe inteira só de meninos! Eu fiquei aterrorizada e desisti de participar do PIC na terceira au

PIC – OBMEP, primeira oportunidade que perdi por ser garota na STEM e insegura.

la. Foi a primeira vez que tinha perdido uma oportunidade de estudo e crescimento por ser menina, não porque ninguém tivesse colocado uma arma na minha cabeça, mas porque eu mesma tinha me complexado com aquilo, e acho que não estou isolada, quando penso em centenas de meninas chegando no seu primeiro dia de aula numa sala abarrotada de homens, o quão com medo e aterrorizada elas ficam. Felizmente nessa época eu ainda era muito jovem (tinha só 11 ou 12 anos!) e ainda teria várias oportunidades de entrar na STEM, o que não acontece com muitas mulheres que só vão sentir este impacto na graduação, onde já não há mais tempo de ter oportunidades de reentrar na área. No ensino médio resolvi fazer ensino técnico, e eu já fui um pouco mais preparada para ser a única menina da classe (meu pai tinha me dito “Você vai para escola técnica, só tem nerds e poucas garotas lá”, eu pensei: “Que besteira, meu pai deve estar brincando, esses esteriótipos são tão ultrapassados”, mas mesmo assim fiquei pensando na possibilidade), ao chegar na escola, no primeiro dia uma mulher nos disse: “Os alunos de informática me sigam”, e ao seguir não conseguia ver outra menina naquela multidão, ao sentar na classe, uma das minhas colegas me disse “parece que somos minoria por aqui”, e de fato éramos, no primeiro ano éramos 7 garotas e 33 garotos na nossa classe. Foi sim bastante impactante começar a estudar naquela classe com tantos garotos, era ruim quando eles resolviam ignorar que garotas existiam na classe e ficavam falando besteira, mas com o tempo me acostumei. Apesar de ter boas notas em disciplinas como programação, pensei em desistir da TI muitas vezes (e acredito que não foi só eu, eu sou a única menina da minha turma que está no momento fazendo um curso superior da área de TI), a sensação de auto-sabotagem era grande. Quando estava do segundo pro terceiro ano do ensino médio, tive a oportunidade de participar em um programa da embaixada dos EUA que infelizmente só aconteceu uma vez, chamado “Science Camp – elas na ciência”, destinado a empoderar garotas na ciência e aquilo foi o começo da desconstrução de vários complexos que tinha comigo mesma, passei a ser mais confiante e a acreditar mais que poderia fazer Ciência da Computação, depois eu participei de vários outros programas e conheci muitas outras mulheres incríveis, nesse outro post do meu blog falo mais sobre

Science Camp, elas na ciência. Primeiro programa de empoderamento de meninas na ciência que participei.

outros programas que participei sobre garotas e computação: https://blogdeviagensdea na.wordpress.com/2015/05/12/mulheres-na-computacao-hackathon-rodada-technovation-e-etc-e-como-tudo-isso-me-mudou/. Atualmente faço Ciência da Computação, trabalho num laboratório onde sou a única menina da sala, vou para turmas onde sou a única garota, já me sinto mais confortável apesar de as vezes ainda me sentir um pouco insegura, algumas pessoas as vezes tentam sabotar a minha segurança confundio-a com ser “metida”. O que eu quero concluir com isto tudo é que o meu maior inimigo como uma garota na TI e como uma garota nas STEM não eram os homens, (sim, ouço as vezes comentários idiotas de pessoas idiotas, desde “meninas não são boas em programação” até “meninas não deveriam ter saído da cozinha”) mas o meu maior problema eram os meus próprios complexos, a maneira como me sentia inferior aos meninos das minhas classes, apesar de que os comentários ruins e as vezes até algum tipo de assédio físico ajudassem a me sentir inferior, mas o meu maior inimigo era eu mesma, a minha cabeça. Por isso acho que é importante dizer para as meninas que elas são boas sim, que elas podem ser cientistas. Estes programas são muito importantes! =)

Mulheres na computação, hackathon, rodada, technovation e etc. e como tudo isso me mudou

Ano passado depois de ter participado do Hackathon de Gênero e Cidadania da Câmara dos Deputados, conheci uma gama de mulheres super acolhederas e inspiradoras, posso citar várias, a Salete, a Daniela, a Haydee (somente online), a Camila Lainette, Camila Carneiro, a  Kamila Brito e a Camina Achutti (somente online, putz quantas C(k)amilas =P), a Jutta, a Ivy, a Wal, a Maíra, a Ana Paula, a Raquel. Foram tantas (Espero não ter esquecido ninguém!). Foi uma experiência mais que incrível, elas me abrilham os olhos para vários problemas que eu não sabia que existiam e me mostraram que a vida pode ser injusta com nós mulheres mas cabe a nós lutarmos para que isso seja melhorado. Foi uma experiência definitivamente inesquecível. (E não só pelas moças, alguns rapazes que conheci lá foram fantásticos também, pontos para o Rafa e para o Diniz que me abriu os olhos para a integração dos deficientes na informática).

Eu e algumas dessas mulheres incríveis que conheci no hackathon

Mas felizmente não acabou por aí, apesar da distância física de todas as amigas e inspiradoras que fiz no evento, continuei em contato com várias delas e isso me proporcionou coisas extraordinárias, a primeira delas foi o prêmio de mulher inspiradora de 2014 do blog Think Olga na categoria tecnologia (e confesso que fiquei bastante tímida com o prêmio, acho que falta muita coisa para eu ser de fato uma mulher inspiradora xD, mas agradeço muito a indicação). Outra coisa muito legal foi a aproximação do Poli Gen (Grupo de Estudo de Gênero da USP, eu já conhecia o grupo, inclusive já tinha uma reportagem sobre mim no site do Poli Gen, não liguem para minha cara de tímida, mas não tinha contato com eles) e isso me proporcionou fazer parte de um grupo muito legal chamado RodADA Hacker e de saber mais sobre uma competição chamada Technovation Challenge.

Eu com cara de tímida na página da PoliGEN

O Technovation Challenge foi o último e um dos mais empoderadores desafios que participei. O Technovation consiste em procurar um problema social e construir um aplicativo que possa resolvê-lo, ele é voltado para garotas do ensino fundamental e médio (e como já estou na universidade participei como mentora). Confesso que me inscrevi no Technovation sem esperar nada do mesmo, mas foi uma experiência incrível, a primeira coisa que eles me fizeram foi me linkar com um grupo de garotas do meu estado (a Paraíba, fomos a única equipe do estado) com três meninas super amáveis, a Vitória, a Samara e a Gabriela. Eu adorei tentar passar um pouco da minha experiência para elas, foi bastante divertido e desafiador. Nosso time não acabou indo para uma final, mas cada momento, cada email, cada mensagem valeu a pena 😀

Adorei trabalhar com vocês ❤

Eu sei que o meu caminho nessa área de garotas e computação é pequeno ainda, mas eu adorei o que eu já vivi até agora! Eu quero muito poder continuar trabalhando nessa área e conhecer ainda mais garotas inspiradoras e poder inspirar um pouquinho mais. Eu só tenho a  agradecer todxs que estiveram no meu caminho até aqui, isso me faz e me fez muito feliz!

Por que eu escolhi ficar no Brasil?

Tem várias pessoas que me perguntam: “Você tentou se inscrever para uma Universidade nos EUA? Você deveria ter tentado, tenho certeza que conseguiria”. Bem, eu não tentei me inscrever em uma universidade americana ou no exterior, apesar de ter considerado MUITO a possibilidade de fazer isto, principalmente depois que fui para o National Youth Science Camp e virei uma alumni do Departamento de Estado americano: cheguei até a contatar o pessoal do Education USA  e o pessoal da Fundação Estudar (de quem também sou fellow) para saber mais sobre o processo de application.

Eu ponderei muito o que estudar nos EUA e no Brasil traria de vantagem e desvantagem para a minha vida profissional e acadêmica, assisti vários vídeos, conversei com várias pessoas. Eu percebi que tenho 2 planos maiores de carreira: eu gostaria de trabalhar em alguma multinacional por um tempo do meu ramo (Exemplos, google, microsoft, amazon, enfim) por um tempo, mas também gostaria de fazer pós-graduação logo após ter essa experiência numa multinacional ou talvez antes. E também ponderei que gostaria muito de fazer Iniciação Científica e Pesquisa e Desenvolvimento ainda na graduação.

Ao assistir um vídeo da Julia Jolie sobre diferenças entre universidade no Brasil e nos EUA, ela falou que no Brasil, diferente dos EUA, havia a possibilidade de participar de pesquisa desde o primeiro semestre enquanto lá só no verão. Isso já foi um ponto a mais para a universidade no Brasil, pesquisando o que eu queria estudar (Ciência da Computação, nunca quis outra coisa além disto) no google, vejo que o curso da minha cidade (Campina Grande) me proporcionaria tanto fazer mestrado e doutorado em universidades de renome, quanto poder entrar numa multinacional do meu ramo, alguns links que falam sobre isso:

Então após ver que poderia fazer o que eu tinha definido como preceitos básicos para uma graduação ficando aqui, vi que ir para os EUA não teria grandes vantagens para minha vida profissional e acadêmica, pelo menos não nesse momento. Alguns pontos que ainda me pesaram a favor dos EUA foram dois, um seria a possibilidade de fazer mais atividades extra-curriculares e diversos cursos ao mesmo tempo, e outro foi o status, afinal estudar em (MIT, Berkeley, Duke, Columbia, Harvard, Cornell, Stanford, o que seja) é sempre maior e melhor que estudar aqui na cabecinha do povo, não importa o que você queira profissionalmente. Bem, sempre soube o que eu quis é Ciência da Computação, então apesar de flertar com várias outras ciências, o primeiro ponto não era bem uma vantagem. E o segundo ponto, não existe motivo mais fútil para ir para outro país que o status social que isso dá, mas pelo visto é o que mais temos quando converso com pessoas que foram e/ou querem ir.

Então as pequenas vantagens de ir fazer graduação fora que percebi, não compensavam a grande desvantagem: uma dívida enorme e um rombo nas economias (afinal, por mais que eu tenha todas as bolsas do mundo, ainda terei que alugar um local para morar, mesmo o dorm da universidade tem custos, tenho que comer em algum lugar, passagens aéreas são caras, enfim…), eu já iria começar a minha vida adulta com dívidas, e isso não me pareceu muito inteligente. Por fim, levantando todos os prós e contras, decidi ficar por aqui mesmo para a graduação.

Eu achei essa uma escolha bem acertada, eu gosto muito daqui. E muitas das coisas que li sobre universidades do Brasil em blogs de pessoas que estudam nos EUA, felizmente não confirmei (pelo menos não aqui na UFCG): aqui tenho assistência dos meus professores nas suas salas pessoais em seus departamentos, tenho um mini escritório no campus, tenho bons acesso a bons laboratórios, consigo fazer várias disciplinas interdiscplinares com outros cursos (desde desenho de jogos digitais, até basquete passando por alemão). Enfim, a universidade por aqui, até o momento, tem me surpreendido positivamente. Tenho certeza que se estivesse nos EUA também estaria gostando da universidade, mas aqui parece ótimo e por um preço bem mais acessível (na verdade, ainda ganho para estudar com bolsas de pesquisa).

Bem, escrevi esse texto para responder alguns amigos que sempre perguntam porque não fui para os EUA, e gostaria de adicionar que cada um tem os seus motivos de ir ou não, as vezes acho que muitos tem motivos muito passionais, mas antes de tomar uma decisão tão importante para a sua vida, recomendo conversar com várias pessoas, levantar os prós e contras e finalmente decidir. Decisões bem pensadas tendem a ter uma taxa menor de arrependimento que decisões que são tomadas no calor do momento, e movidas por emoções do tipo “Eu sou fã da universidade X então vou lutar para ir pra lá só porque eu sou fã, sem nenhum motivo lógico aparente”.

Science Camp – Elas na ciência

Ok, eu sei que tinha prometido no post anterior falar do Science Camp no sábado, mas para o bem de todos e felicidade geral da nação, extraordinariamente, hoje não tive aula de manhã e de tarde, apenas de manhã; por isso vou contar pra vocês o que é o “Science Camp – Elas na ciência” através de um pequeno FAQ que as pessoas tem me feito por aí.

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Logo do programa

Primeiramente, para aqueles que ainda não estão ligados, através deste programa eu consegui ser selecionada para ir para os EUA, pois eles disseram que das 90 participantes, eles selecionariam até duas para participar do National Youth Science Camp em West Virginia, e eu fui uma delas.

As meninas do Science Camp no CNPq

As meninas do Science Camp no CNPq

Bem, segundamente (nem sei se essa palavra existe), o que é o “Science Camp”?

O “Science Camp- Elas na ciência” é um projeto recém-criado da Missão diplomática dos Estados Unidos no Brasil em apoio aos esforços conjuntos previstos no Memorando de entendimento Brasil-Estados Unidospara desenvolvimento das mulheres e em especial apoio ao projeto “Ciências sem Fronteiras” do Governo Brasileiro. O projeto foi parceiro do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia(INPA), teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico Tecnológico(CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), além do apoio institucional do Ministério da Inovação Tecnológica e do Ministério da Educação e do patrocínio da Coca-Cola Brasil, Fundação Nókia e ICBEU. (Pronto, acabei, uffa, e essa só foi a primeira edição, imagina o tamanho do rodapé das próximas…)

Este ano o evento aconteceu em Brasília e Manaus entre os dias 3-8 de março, em breve farei um post por dia sobre este evento no blog 😉

Mas este programa é só para meninas?

O Science Camp do Brasil é. Podem chorar boys. Depois falarei mais do americano que é misto xD;

Mas por que é só para meninas?

Apesar do crescente aumento de espaço das mulheres no campo da ciências, o número de mulheres ainda é muito tímido em comparação ao número de homens, principalmente na área de engenharia e Tecnologia da Informação (T.I.); segundo o portal do CNPq, as mulheres atualmente ocupam 34% das bolsas de pesquisa na área contra os 66% de homens, o que é uma disparidade visto que temos mais mulheres que homens no Brasil, mas já foi muito pior, em 2001 apenas 28% das bolsas eram femininas contra 72%. (fonte: http://www.cnpq.br/web/guest/estatisticas1), por esta disparidade é que este evento é exclusivo para meninas.

A embaixada tem outros eventos que incluem meninos também?

Sim, falarei sobre eles em outros posts 😉

Como você chegou até o Science Camp-Elas na ciencia?

Estas e outras aventuras você verá no post de sábado, fique ligado xD;