Meu engatinhamento no Open Source

Hoje vi no Facebook o meu primeiro contato com a comunidade Open Source foi há 4 anos atrás! Eu participei no FLISOL (Festival Latinoamericano de Instalação de Software Livre) que é um evento super introdutório da área e que acontece em diversas cidades. Eu me lembro que no evento me senti super importante porque ganhei um caderninho da Nókia  haha  e fiquei admirada com meu instrutor porque ele tinha ganho vários celulares de última geração da empresa para desenvolver softwares para ela, e fiquei pensando: um dia serei assim haha (mas achava que isso era super distante da minha realidade, hoje em dia minha realidade é mais ou menos essa).

No tal evento

Naquele tempo ainda achava que Software Livre era algo inacessível para mim, achava que não conseguiria usar Software Livre (já tinha tentando usar o Linux algum tempo antes) que dirá desenvolver um dia! Mas nessa época mais ou menos, pasei a mudar: naquele ano instalei o Linux no meu computador, e passei a usá-lo como sistema operacional principal. Eu sofria um pouco toda vez que digitava ctrl+alt+del e outras noobisses, mas pouco a pouco fui aprendendo a lidar com o sistema: e isso foi ótimo, porque também fui ficando mais curiosa para pesquisar como fazer coisas mais avançadas no computador. Hoje em dia sou quase que fluente na linguagem do terminal do Linux, e as vezes sinto orgulho de mim mesma quando me vejo digitando feito louca naquele terminalzinho haha =P

Minha história de usuária para desenvolvedora começou a mudar quando entrei na Universidade em 2014 e fui trabalhar no Laboratório de Sistemas Distrubuídos (LSD, laboratório com nome mais legal de todos, ah e lá as salas tem nome de cachaça também =P). Lá tive a sorte de entrar num projeto muito legal, com uma equipe muito legal também, e logo na minha primeira semana encontrei uma barreira no desenvolvimento do projeto que fui designada: uma biblioteca Java que teria que utilizar não tinha um comando que eu precisava, eu queria fazer uma gambiarra ou algo do tipo mas meu chefe me mandou implementar esse comando. Quando ele mandou fazer isso, confesso que fiquei super assustada, afinal contribuir para uma API Java feita nas gringas deveria ser super difícil de lidar! Mas descobri que contribuir para Open Source não é bicho de 7 cabeças, é mais fácil do que parece (depois posso fazer um guia ensinando por onde começar), e eu consegui! Consegui fazer um pedaço de código que poderia ser usado por qualquer desenvolvedor em qualquer lugar do mundo.

 

Laboratório com a melhor placa do mundo hahaha

No final do ano passado, acabei deixando o Laboratório mas não deixei a cultura que ele me deixou: eu continuei sendo ativa na comunidade Open Source e colaborei com alguns projetos, escrevi algumas linhas de código, corrigi alguns bugs, etc. Graças a isso, estou indo para Londres agora em junho e  fui chamada para participar de estágios incríveis, eu estou super feliz por ter essa oportunidade! Quem diria? Uma moça do interior da Paraíba, estaria indo tão longe por causa de Open Source?

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Mitos sobre Open Source

Eu vejo amigos que não são da área de computação (e em geral são de humanidades) ostentando no facebook: eu uso software open source, eu sou revolucionário, eu ando contra o sistema, etc. mas esse pessoal parece que não tem a mínima noção do que tão falando. Por isso vou falar aqui de alguns mitos do OpenSource e do Free Software.

Primeiro, só para deixar claro, OpenSource é diferente de Free Software, todo software livre é de código-fonte aberto, mas a principal diferença é que nem todo OpenSource software segue as regras de distribuição que foram inicialmente propostas pela GNU: que qualquer um pode usar, modificar e distribuir a vontade. Alguns você pode fuçar o código mas não pode distribuir e modificar. Mas na maioria das vezes, Free Software Open Soure se referem a mesma coisa (já que a maioria dos OpenSource são free Software).

O primeiro grande mito que vejo pessoas no meu face comentando é “Software livre é algo contra o sistema e revolucionário”, eles imaginam que programadores OpenSource são Madre Tereza de Calcutá 2.0 e não ganham nenhum centavo para fazer o que fazem e que é tudo voluntário e lindo… Tadinhos, mal sabem que no mercado de software livre são despejados rios de dinheiros de corporações, só dando um exemplo para os mais incrédulos, o OpenStack é um sistema para nuvens que é um software livre, olha só as corporações envolvidas com o Openstack: https://www.openstack.org/foundation/companies/ . Até a (malvadona) Microsoft desenvolve e investe em software livre, então software livre é tão pago com o dinheiro do sistema quanto qualquer outro software privado.

Mas por que então empresas investem em software livre? Eu diria que é porque eles acham muito caro desenvolver uma solução para nuvens (por exemplo) sozinhos e que só servicem para eles, por isso sai mais barato contratar desenvolvedores para fazer algo unificado, e já que vai ser algo compartilhado entre empresas, porque não compartilhar com o carinha que tem um servidorzinho e que montar a sua nuvem pra vender hospedagem? O que as empresas ganhariam vendendo a licensa para esse carinha seria irrisório comparado ao que elas vão ganhar ao aplicar o software deles no servidores deles. Existem, é claro, algumas iniciativas que são 100% (ou quase 100%) corporação free (que não são financiados por nenhuma corporação), como o Popcorn Time, mas são uma pequena minoria.

Outro mito que vejo é que software livre seria totalmente seguro e livre de espionagem, principalmente com esse negócio de NSA que anda pirando o pessoal por aí. Eu concordo que é mais difícil de um software livre mandar as suas informações para uma NSA da vida por causa da comunidade, mas não é impossível: basicamente quem cuida do software é a equipe que foi contratada com money de grandes empresas para fazer isso, e se as grandes empresas colocam softwares de espionagem nos softwares fechados, por que não no software aberto? É claro que a comunidade pode perceber e reportar aquilo mas vai saber, sem contar que por exemplo, algumas empresas (principalmente as de celular com o Android) modificam o sistema livre a torto e a direito e você mal sabe qual versão está instalada no seu celular depois das modificações… E por mais que você tenha um SO livre, logo após você vai entrar no Google, no Facebook, etc que segundo a teoria são “NSA” 24h/7d… Enfim, é basicamente impossível está 100% livre de espionagem no mundo da informação que temos hoje (mesmo que você não use facebook, email da Google, Microsoft (tenha seu próprio servidor de emails), etc. quem te garante que teu provedor de internet não tá te espionando? Infelizmente hoje em dia, é quase tudo na base da “confiança”, a empresa diz que não vai te espionar e você “confia” nisso).

Mas apesar de tudo isso eu gosto de trabalhar com software livre, o prinicipal motivo é poder corrigir um bug quando eu acho um e não ter que ficar esperando semanas até a empresa corrigir uma coisa simples que eu poderia fazer. Eu uso o Linux como meu SO e não conseguiria mudar para o Windows porque eu acho o Windows horrível de operar por linha de comando e pouco estável (apesar disso já está mudando nas últimas versões), mas também adoraria mudar para um Mac, porque acho que os computadores da Apple reunem o melhor do mundo Linux (estabilidade, bom terminal, mais seguro, etc) com o melhor do Windows (variedade de programas), mas enquanto o orçamento não é suficiente, sigamos com o Linux…