Minhas impressões sobre o Terceiro Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local

Como falei dois posts atrás, eu fui para a Itália com um objetivo específico, a convite da ONU através da TEJO eu fui participar do 3º Fórum de Desenvolvimento Econômico Local e aqui vou contar as minhas impressões sobre o evento.

O evento era super luxuoso, ele aconteceu no Palácio Real de Turim, no centro da cidade, ao lado de lojas chiquérrimas como Armani e Prada. O secretário geral da ONU, Ban Ki Moon, esteve presente no final do evento para discursar na plenária principal, fora ele haviam muitas pessoas importantes do mundo todo.

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Discurso do secretário geral da ONU no encerramento do evento

Tinham sido montada no jardim do palácio real uma tenda enorme que era a plenária principal onde todas essas pessoas importantes falavam, e outra tenda no pátio do palácio que eram subdivididas em várias mini tendas onde pessoas menos importantes (como eu) tinham a oportunidade de discursar, foi numa dessas mini tendas que discursei a primeira vez num evento oficial da ONU, junto com mais duas pessoas, uma do Egito e outra da Macedônia. Eu fui a única que discursei em inglês, a moça do Egito preferiu discursar em Árabe e o homem da Macedônia preferiu discursar em francês: eu não pude discursar em português porque a minha língua não é uma língua oficial da ONU.

A mesa redonda que participei.

A mesa redonda que participei.

Eu estava lá em nome da TEJO e para representar ideias da organização (que claro, concordo), o tema da nossa mesa redonda era empregabilidade de jovens. A moça apresentou os desafios encontrados por jovens egípcios depois da primavera árabe em encontrar emprego e do trabalho da Organização Mundial do Trabalho para ajudá-los. Eu falei um pouco dos problemas linguísticos encontrados por pessoas que querem encontrar trabalho: muitas vezes o fato de falar ou não uma língua (e não só o inglês, mas como também o alemão, francês, etc) é algo excludente no processo de seleção de muitos empregos, enquanto ter um time internacional e diverso é bom para o ambiente de uma empresa. O cara da macedônia apresentou um projeto que estava sendo desenvolvido lá estilo PRONATEC. No meu painel não havia tradução para todas as línguas da ONU, faltavam traduções para o chinês e o russo, em algumas outras salas faltavam traduções para o espanhol além dessas, só haviam as 6 línguas oficiais na plenária principal.

Eu fiquei um pouco chateada com o evento quando soube que não poderia discutir em português mesmo o Brasil tendo uma boa delegação lá e o SEBRAE sendo um dos principais patrocinadores do fórum: mesmo sendo feito com dinheiro brasileiro, o português não era passível de ser falado lá. Como sabia que ia ter que falar inglês, francês ou espanhol com as pessoas lá dentro e que ter que discursar em inglês (porque o inglês dentre estas línguas é a que domino melhor) resolvi falar inglês desde a entrada quando me barraram: eu expliquei para o segurança que queria pegar meu crachá em inglês, mas de todos os que estavam ali só um falava inglês e não tão bem, ele achou que queria comprar o ticket para visitar o museu do palácio real, eu tive que explicar melhor em “portitaliano” (eles entendem se a gente falar português devagar e com algumas palavras chave em italiano) o que eu queria.

O evento era fechado para o público local eu acho que um fórum de desenvolvimento econômico local também deveria beneficiar o vendedor de lembrancinhas que tinha um quiosque na praça em frente ao palácio e não só aqueles detentores de convites da ONU. Felizmente o pessoal do evento também achava isso, por isso colocaram um telão do lado de fora do palácio que transmitia para a praça o que estava sendo discutido lá dentro. O evento tinha sido bem divulgado pela cidade, haviam cartazes, banner e painés (todos em inglês) do aeroporto aos pontos de ônibus de Turim, mas não havia quase ninguém assistindo o que estava sendo discutido dentro do palácio da praça.

Telão do lado de fora do palácio

Telão do lado de fora do palácio

A língua era um dos principais motivos, as palestras da plenária principal eram quase todas em inglês e elas estavam sendo transmitidas em inglês sem tradução simultânea ou legendas para o italiano: o inglês em Turim é falado no mesmo nível que no Brasil, muitas pessoas não passam do “what is your name?” aprendido na escola, as que “falam” não falam no nível de discutir economia e política, assim como no Brasil, são poucas as pessoas que compreendem e que interagem numa palestra em inglês sem tradução. A língua era um dos principais motivos que dividiam os que tinham acesso no que estava sendo discutido no palácio para as pessoas da rua, para ouvir e ser ouvido ali precisava-se falar uma língua da ONU, e o italiano não é uma delas.

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