Por que eu escolhi ficar no Brasil?

Tem várias pessoas que me perguntam: “Você tentou se inscrever para uma Universidade nos EUA? Você deveria ter tentado, tenho certeza que conseguiria”. Bem, eu não tentei me inscrever em uma universidade americana ou no exterior, apesar de ter considerado MUITO a possibilidade de fazer isto, principalmente depois que fui para o National Youth Science Camp e virei uma alumni do Departamento de Estado americano: cheguei até a contatar o pessoal do Education USA  e o pessoal da Fundação Estudar (de quem também sou fellow) para saber mais sobre o processo de application.

Eu ponderei muito o que estudar nos EUA e no Brasil traria de vantagem e desvantagem para a minha vida profissional e acadêmica, assisti vários vídeos, conversei com várias pessoas. Eu percebi que tenho 2 planos maiores de carreira: eu gostaria de trabalhar em alguma multinacional por um tempo do meu ramo (Exemplos, google, microsoft, amazon, enfim) por um tempo, mas também gostaria de fazer pós-graduação logo após ter essa experiência numa multinacional ou talvez antes. E também ponderei que gostaria muito de fazer Iniciação Científica e Pesquisa e Desenvolvimento ainda na graduação.

Ao assistir um vídeo da Julia Jolie sobre diferenças entre universidade no Brasil e nos EUA, ela falou que no Brasil, diferente dos EUA, havia a possibilidade de participar de pesquisa desde o primeiro semestre enquanto lá só no verão. Isso já foi um ponto a mais para a universidade no Brasil, pesquisando o que eu queria estudar (Ciência da Computação, nunca quis outra coisa além disto) no google, vejo que o curso da minha cidade (Campina Grande) me proporcionaria tanto fazer mestrado e doutorado em universidades de renome, quanto poder entrar numa multinacional do meu ramo, alguns links que falam sobre isso:

Então após ver que poderia fazer o que eu tinha definido como preceitos básicos para uma graduação ficando aqui, vi que ir para os EUA não teria grandes vantagens para minha vida profissional e acadêmica, pelo menos não nesse momento. Alguns pontos que ainda me pesaram a favor dos EUA foram dois, um seria a possibilidade de fazer mais atividades extra-curriculares e diversos cursos ao mesmo tempo, e outro foi o status, afinal estudar em (MIT, Berkeley, Duke, Columbia, Harvard, Cornell, Stanford, o que seja) é sempre maior e melhor que estudar aqui na cabecinha do povo, não importa o que você queira profissionalmente. Bem, sempre soube o que eu quis é Ciência da Computação, então apesar de flertar com várias outras ciências, o primeiro ponto não era bem uma vantagem. E o segundo ponto, não existe motivo mais fútil para ir para outro país que o status social que isso dá, mas pelo visto é o que mais temos quando converso com pessoas que foram e/ou querem ir.

Então as pequenas vantagens de ir fazer graduação fora que percebi, não compensavam a grande desvantagem: uma dívida enorme e um rombo nas economias (afinal, por mais que eu tenha todas as bolsas do mundo, ainda terei que alugar um local para morar, mesmo o dorm da universidade tem custos, tenho que comer em algum lugar, passagens aéreas são caras, enfim…), eu já iria começar a minha vida adulta com dívidas, e isso não me pareceu muito inteligente. Por fim, levantando todos os prós e contras, decidi ficar por aqui mesmo para a graduação.

Eu achei essa uma escolha bem acertada, eu gosto muito daqui. E muitas das coisas que li sobre universidades do Brasil em blogs de pessoas que estudam nos EUA, felizmente não confirmei (pelo menos não aqui na UFCG): aqui tenho assistência dos meus professores nas suas salas pessoais em seus departamentos, tenho um mini escritório no campus, tenho bons acesso a bons laboratórios, consigo fazer várias disciplinas interdiscplinares com outros cursos (desde desenho de jogos digitais, até basquete passando por alemão). Enfim, a universidade por aqui, até o momento, tem me surpreendido positivamente. Tenho certeza que se estivesse nos EUA também estaria gostando da universidade, mas aqui parece ótimo e por um preço bem mais acessível (na verdade, ainda ganho para estudar com bolsas de pesquisa).

Bem, escrevi esse texto para responder alguns amigos que sempre perguntam porque não fui para os EUA, e gostaria de adicionar que cada um tem os seus motivos de ir ou não, as vezes acho que muitos tem motivos muito passionais, mas antes de tomar uma decisão tão importante para a sua vida, recomendo conversar com várias pessoas, levantar os prós e contras e finalmente decidir. Decisões bem pensadas tendem a ter uma taxa menor de arrependimento que decisões que são tomadas no calor do momento, e movidas por emoções do tipo “Eu sou fã da universidade X então vou lutar para ir pra lá só porque eu sou fã, sem nenhum motivo lógico aparente”.

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