Livro de aventuras: As viagens de Gulliver

Ok, eu sei que a ideia desse blog não era de ser um blog de crítica literária, mas o último livro que li me inspirou ao ponto de vir aqui escrever uma resenha dele. Além disso, o livro tem tudo a ver com o tema do blog: As viagens de Gulliver.

Demorei quase 3 meses para ler este livro, não porque não estava gostando, muito pelo contrário estava amando, mas é que este não é um livro que lemos apenas superficialmente a história, é um livro que nos faz entrar dentro dele e nos faz refletir sobre quem somos e o motivo disso tudo.

A história do livro na realidade é bem simples, conta a história do jovem médico Lemuel Gulliver um poliglota que sempre soube que o seu destino seria vagar todo este mundo. O livro é baseado em vários outros livros de viajantes que desbravavam as Américas, África e Ásia em busca do desconhecido e acabavam dando de cara com povos e culturas que jamais imaginavam (cito como exemplo desses, As aventuras de Marco Polo, Duas viagens ao Brasil (de Hans Staden), etc).

Mas diferente desses outros livros, o Jonathan Swift (autor do livro) tinha uma sensibilidade enorme e não via aqueles povos como meros selvagens que mereciam ser destruídos, pelo menos quando li o livro de Hans Staden essa foi a impressão que tive dos índios brasileiros a partir do relato dele.

A primeira viagem que Gulliver faz é para Lilliput – uma terra em que todos os seres não tem mais de um palmo, talvez esta seja a menos reflexiva e mais descritiva e cômica das viagens, apesar disso, ele faz uma crítica que nem parece que foi feita em um livro escrito há 300 anos atrás: Na terra dessas criaturinhas há duas maneiras de se quebrar os ovos, um pela extremidade mais grossa e outro pela extremidade mais fina, tudo porque o livro sagrado deste povo diz que se deve quebrar pela a extremidade mais cômoda. O Gulliver acha graça disso e põe a nossa raça muito superior a intrigas como essa, mas se percebemos, interpretações de um certo (ou certos) livro sagrado não é uma grandíssima causa de discórdia tão boba quanto a acima ainda hoje em dia?

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Gulliver ao chegar em Lilliput

Depois disso, Gulliver viaja a uma terra onde só existem gigantes, e é um pouco incômodo para o leitor ver um humano tratado como um passarinho ou uma bonequinha (pelo menos a mim foi)! Além disso, as pessoas caçoavam da Europa e da Inglaterra (pátria da personagem principal), com dizeres “Como pode ser a política de pessoas tão pequenas algo importante?”. Essa parte dá uma sensação estranha ao ego, e nos faz pensar o por quê de tudo isso, somos tão minúsculos no fim!

A terceira parte da viagem, para mim, foi bem interessante, mas pela crítica em geral é a mais chata =P. Ele vai para um país onde todos só se preocupam com as ciências e a matemática e se esquecem da aplicabilidade prática da mesma e acabam caindo em miséria.

A última parte é a mais ❤ de todas, Gulliver vai até um país onde os cavalos são racionais e os homens (ou Yahoos – é desse livro que vem o nome da empresa) são criaturas irracionais. No entanto, ao observar os Yahoos, Gulliver nota que na verdade não somos tão racionais assim, e ao contar sobre nossos hábitos aos cavalos, eles os repudiam. Teve um trecho que fiquei tão ❤ que é “feminista”:

“classificando o meu amo como monstruoso o nosso hábito de educar machos e fêmeas diferentemente, do resulta, segundo ele, que metade da nossa população não serve mais para nada a não ser para trazer mais crias para este mundo, pelo que considerava ainda maior brutalidade confiar a estes inúteis animais a educação dos seus filhos

Outro ponto que não mencionei mas que me chamou super atenção no livro foi o jeito como Gulliver aprendia as línguas dos países onde visitava (nos quais em geral, passava por volta de 3-5 anos, sua viagem dura 16 anos no total), perguntando e apontando as coisas e tentando repetir os que os nativos diziam, e essa é realmente a forma natural de se aprender línguas.

Por fim, As viagens de Gulliver é um livro sensacional, tendo como único ponto negativo (talvez) a sua linguagem um tanto arcaica, afinal foi escrito há 300 anos. No entanto, é um livro que permanece atemporal. Sei que aqui revelei demais do enredo da história, mas o principal desse livro não são as histórias e sim as críticas que eles nos faz fazer a respeito da sociedade onde vivemos.

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